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28 de agosto de 2015

Deus me dê paciência...


...e um paninho para a embrulhar!

Aquele momento em que tenho que respirar fundo e contar até 10 porque tenho à minha frente um paciente, todo tatuado, em lágrimas porque tem medo da agulha.
Engraçado que normalmente são aqueles pacientes todos musculados e com atitude de macho man, que depois quando vêem uma agulha se tornam em verdadeiros bebés, LoL. Meninos, comportem-se!

P.S. - note-se que eu tenho tatuagens e já levei com muitos catéteres ... daí saber do que falo e não ter pachorra mesmo nenhuma.

10 de maio de 2015

Orgulhosamente "anormal"


Eu e um grupo de amigos enfermeiros tivemos uma discussão que me levou a pensar seriamente… Será que conseguimos ter outro emprego senão Enfermagem?

Um emprego das 9 às 5 e/ou sentados numa secretária… Não é no sentido depreciativo, não estou a criticar quem tem esse tipo de emprego mas quem trabalha por turnos e está constantemente a correr durante as horas de trabalho, percebe o quão esta questão nos deixa a pensar. 

Trabalhar das 9 às 5 acho que ainda era capaz… não me importava de ter um horário “normal”, não trabalhar noites, não ter oncalls e ir para casa a horas no final de um dia de trabalho. Agora, sentada numa secretária não sei se conseguia…


P.S. - Esta semana é a semana dos Enfermeiros! 

12 de fevereiro de 2015

A sra. enfermeira disse... está dito!


Aqui no UK, existem Enfermeiros para tudo e mais alguma coisa... Existe o Enfermeiro da diabetes, Enfermeiro da asma, entre outros mas, especificamente, Enfermeiro da pele (tecido viável, tratamento de feridas, manutenção).
Recentemente fui a uma formação da Enfermeira da Pele, que disse que devíamos usar produtos na nossa pele que tivesse pH perfeito, que não tivesse perfume incluído (pois isso seca a pele)... resumindo? Disse que devíamos usar Dove, que dentro das marcas que se encontram disponíveis que a Dove é a melhor pois respeita a nossa pele em todos os níveis.

Agora se ela tinha contrato com a Dove eu não sei... mas se a senhora Enfermeira disse, então deve ser verdade, LoL.

24 de novembro de 2014

Eu juro que tentei...


...mas não consigo! Não consigo ver séries médicas (excluindo claro o Dr. House porque era fantástico). Eu sei que há pessoal viciado no Grey’s Anatomy, no Scrubs ou na Nurse Jackie… Não sei se é a falta de realismo ou o quê mas eu simplesmente não consigo. Até nos filmes, o Mais-que-Tudo já tá farto de me ouvir de cada vez que aparece uma cena de um bloco operatório: "Pronto, a burra já desterilizou tudo!"

Não tenho cura.

Acho que saber o que se passa nos "bastidores" não ajuda muito, LoL. 

18 de outubro de 2014

Trabalhar por turnos


Existem dois tipos de pessoas neste mundo, as que trabalham por turnos e aquelas que não trabalham por turnos. Parece bastante elitista este tipo de comentário mas para quem conhece alguém que trabalhe por turnos ou até que trabalhe mesmo, vai compreender perfeitamente o que quero dizer.

Menciono isto porque amanhã, depois de estar no meu emprego há quase 3 anos vou fazer pela primeira vez noites. No bloco operatório a equipa das noites são extremamente reduzidas, numa equipa de quase 70 durante o dia, ficamos reduzidos a 5 pessoas. Ou seja, só faz noites quem já tem alguma experiência e quem está pelo menos confortável a fazer cesarianas de emergência (que é o bloco que está em funcionamento 24/7).
Como já tinha dito anteriormente o Tuga é o gajo dos 7 ofícios, então tende a fazer de tudo um pouco, contudo comigo tem sido adiado pois tenho-me especializado em ortopedia e traumatologia, que é o que mais gosto.
Mas enfim, lá tem que ser e lá vou eu para as cesarianas...

O pior disto tudo é que como o Mais-que-Tudo também trabalha por turnos, nem sequer o vou ver em certos dias. Porque chego a casa depois dele ter saído para o trabalho e ele quando chegar posso já estar a caminho do trabalho...
Se já não fazendo noites, às vezes era complicado a gente ver-se, imagino agora, LoL. O que vale é que só se vai fazer noites, de vez em quando... Espero eu! 

8 de agosto de 2014

A seriedade dos inaladores


Eu gostaria de agradecer à marca do Symbicort, um dos meus inaladores para a minha asma, pela genialidade do formato/design do mesmo. 
Antes de mais, sim eu não fui abençoada só com um inalador, até porque asmático que é asmático não tem só um. Tem no mínimo dois, que é o primeiro para aquele apertozinho e depois o segundo que é quando já estamos mais roxos que já vemos a dobrar.
O porquê de agradecer pelo formato? Pois bem, é que este inalador está sempre na minha carteira e se por algum motivo o tiro cá para fora (numa das aventuras, qual Salteadores da Arca Perdida, que vem tudo para fora da carteira em busca dum mísero objecto), o meu inalador é sempre motivo de surpresa. E isto levou também  a que eu me apercebesse que eu afinal, sou uma gaja séria. Não estão a perceber? Eu já explico.

Pergunta habitual é: "O que é isto?"
A resposta que levam é: "É o meu vibrador portátil."

E não é que o povo acredita?! Eu sou mesmo gaja séria. Deve ser por isso que o pessoal diz que sou mesmo boa Enfermeira, porque posso dizer a maior barbaridade e povo acredita!

12 de janeiro de 2014

O vasto mundo do Bloco Operatório


Já há algum tempo que uma certa curiosidade cresceu em mim… Enquanto estudante de Enfermagem em Portugal, a nossa perspectiva de Bloco Operatório é extremamente limitada. Então se fui 2/3 vezes a um B.O. foi muito. 
Agora tenho uma imensa curiosidade para ver, não como estudante mas agora como profissional, um B.O. em Portugal e se possível de ortopedia (sendo a minha especialidade favorita de momento). Para poder observar as diferenças de dinâmica da equipa, o modo de trabalho de um instrumentista português, o percurso do doente, diferentes sistemas de cirurgia e até de próteses… Espero que um dia eu consiga matar esta minha curiosidade!

14 de fevereiro de 2013

Upgrade: trabalho


Não tenho tido muito tempo aqui para o Reino pois tenho tido umas semanas de cão mesmo! Não me estou a queixar, longe disso pois fui eu que quis o trabalho extra para o dinheiro extra mas apesar de depois no fim do mês ficar muito satisfeita com o resultado e de ter valido a pena, mesmo assim… estou exausta! Literalmente a dormir em pé e com a casa em pantanas mas agora vou ter uns dias de folga seguidos, vou descansar, repor energias porque a viagem para Portugal está mesmo aí à porta! Pois a ideia é mesmo essa, ter poder económico para fazer vida aqui, comprar as viagens (que para 2013 já estão quase todas só este mês e até dói, LoL), ter ainda um extra para passear e fazer umas comprinhas, por isso este trabalho todo vai valer a pena. 
Ainda no outro dia estava a falar com uma colega portuguesa de trabalho que apesar de oferecerem em Portugal um emprego, o que quer que fosse, teria que ser muito bem pago pois para sermos “escravos”, ou seja, trabalharmos até nos matarmos, mais vale trabalhar aqui pois ao menos no final do mês o trabalho duro se reflecte… Também se reflecte nos impostos mas enfim, isso é todo um outro assunto. 
Quanto ao trabalho em si, agora em vez de emergência ainda estou em cirurgias electivas que não significa automaticamente um aborrecimento de morte pois há cirurgias imensamente complexas ainda para serem aprendidas. No entanto, ainda ontem recebi um elogio por parte de um cirurgião, a dizer que eu era excelente pois antecipava (ou a meu ver, tento fazer) todos os passos. Até acho que tenho evoluído nesse sentido, talvez não na rapidez com que queria mas mesmo em emergência levei o meu tempo a aprender…
Aprendi muito desde que comecei, tenho que reconhecer isso, principalmente aprender as realidades e os mitos do bloco operatório, como por exemplo, o meu favorito mito: o cirurgião é que manda no bloco operatório. Ahahahah.

2 de dezembro de 2012

A dar que falar


Ainda se lembram da entrevista que eu e o Mais-que-Tudo dêmos para a "The BraiNews"? A reportagem pelos vistos ficou tão boa que passou na Antena 1 no programa A Rede da Rádio

26 de novembro de 2012

Algumas mudanças...


Bem, vocês ao ver os meus posts devem pensar "bem, aquilo é só vida boa!". Nada disso minha gente, eu trabalho como qualquer comum mortal, LoL.
Ultimamente, porém, não tem havido muitas alterações no meu trabalho, naquele departamento posso ter várias colocações mas desde que comecei que estava fixa a uma colocação, mais especificamente em emergência, onde fiquei até agora. O facto de ter ficado quase 7/8 meses numa só colocação não é normal no meu serviço mas a princípio quem começava pela parte de emergência iria ficar um pouco mais de tempo para consolidar conhecimentos (e ainda bem porque aquilo só tem uma velocidade: a correr), o que foi óptimo mas ao final deste tempo todo já estava a precisar de uma mudança pois achava-me bastante incompleta em termos profissionais.
Apesar dos meus chefes estarem agradados com o meu trabalho, sinto que preciso de conhecer a parte electiva para me sentir completa e continuar a evoluir enquanto profissional. Por isso esta semana deixo a parte de emergência e mudo o meu poiso para a parte electiva do departamento... Vamos a ver como corre!

2 de novembro de 2012

Por acaso não ia dizer nada mas...

...isto já me está a meter nojo.

Pois bem, eu só tomei conhecimento da carta para o Presidente da República feita pelo rapazito enfermeiro que decidiu emigrar, através do facebook. Li a carta, achei: ok, o rapaz está mesmo revoltado e esta foi a catarse dele. Tudo bem.
Depois pessoal em Portugal aconselhou-me a ver a entrevista televisiva que ele deu. Vi...  Em primeiro lugar, aquilo é uma procura de mediatismo tremenda, a forma como ele falou, fez de nós uns verdadeiros coitadinhos e nós de coitadinhos temos muito pouco pois estamos a receber o dobro e algumas vezes o triplo que iríamos receber em Portugal. Coitados são aqueles que ficam e têm que se sujeitar a trabalhos precários e receber uma ninharia, tudo isto porque há todo um empatamento político no nosso estatuto como licenciados e também porque a nossa Ordem só existe para receber quotas.
Em segundo lugar, os telejornais portugueses foram agora bombardeados com a súbita realização de que existe uma "fuga" de enfermeiros de Portugal. A sério? A emigração de enfermeiros não começou só agora, não começou com esse rapaz e nem sequer começou comigo! Tenho muitos colegas que estão cá há anos, eles vieram aos magotes há anos e só agora é que Portugal se apercebeu que existe emigração em Enfermagem? Não, as pessoas não são tão tapadas assim, o que demonstra que este "bombardeamento" é meramente político.

Após isto tudo, esta semana encontro na nossa copa do serviço um jornal inglês com uma notícia sobre precisamente esse moço, mencionando a carta, o descontentamento do moço em sair do país e falando na quantidade de enfermeiros estrangeiros o NHS tem (que por curiosidade são ao todo, 40%). Tive que tirar uma fotocópia pois não acreditava nos meus olhos... Acho que passa uma imagem péssima. 

Cheguei mesmo a falar com os meus colegas aqui, todos concordamos que estão à procura de sensacionalismo numa coisa que já acontece há muito tempo e que não somos definitivamente coitadinhos nenhuns. Sim, a parte financeira não é tudo mas saindo do país tens oportunidade de ter uma carreira (coisa que não existe em Portugal nem que tenhas 20 anos de experiência ou uma especialidade) e sim, há saudades mas gerem-se. Se eu, que sou do norte do país se fosse trabalhar para o Algarve, podem ter a certeza que com o que ia ganhar não me ia dar para ir a casa nem uma vez por mês, enquanto que eu estando aqui, estou a 2 horas de Portugal, consigo ir a casa (se eu quiser) uma vez por mês e isto é apenas um exemplo.

Concluindo, em vez de pedirem satisfações ao Primeiro Ministro ou ao Presidente da República porque é que não pedem satisfações à Ordem dos Enfermeiros que está muito comodamente a receber quotas, quer se esteja a trabalhar ou não, e não se mexe para preservar (quiçá elevar mas não se pode pedir tudo) a nossa classe?

23 de outubro de 2012

Reportagem: Brainews

A vossa soberana e o Mais-que-Tudo deu uma entrevista à Vânia Ribas para o seu blog "The BraiNews", que tem como objectivo divulgar os seus trabalhos académicos e pessoais.


O tema foi Os Novos Emigrantes e ficou um excelente trabalho. Que acham?

12 de outubro de 2012

The Old Operating Theatre


Eu e o Mais-que-Tudo decidimos que quando fossemos a Londres, só começávamos a ir a museus quando o tempo não estivesse o melhor para passear. Então houve um dia em que estava sol mas de repente começa uma valente trovoada, por isso nesse dia para nos refugiarmos da intempérie, fomos visitar o The Old Operating Theatres Museum, que é basicamente o bloco operatório mais antigo de Inglaterra!
Não vos consigo reproduzir em palavras aquele museu, tem de tudo um pouco desde instrumentos do século XIX, medicamentos vintage e mostrava ainda técnicas para pequenos males (que me fez pensar que naquela altura mais valia estar doente que morrer com a cura, LoL). A minha parte favorita do museu é precisamente no lado oposto do quadro onde eu estou na fotografia, onde tem uma bacia de porcelana chinesa com um letreiro a dizer: "Era nesta bacia que os cirurgiões lavavam as mãos depois das cirurgias e ocasionalmente antes das mesmas."
Brutalíssimo!

12 de setembro de 2012

Sim, estou viva!


Bem sei que andei muito desaparecida mas tenho tido muitos turnos seguidos e após isso uns dias merecidos de folga a não fazer outra coisa se não passear! Ou seja, tanto a trabalhar como de folga, chegava a casa sempre exausta. 
A ver se retomo aqui a actividade do Reino e visito os vossos cantinhos. Obrigada por me acompanharem!

8 de julho de 2012

Betadine, se faz favor...


Há dias magoei-me na unha do meu rico dedinho (vá, abri-a ao meio mesmo) e como nem sequer tinha pensos rápidos, lá fui eu a uma farmácia comprar uns pensos e betadine.
O primeiro pensamento que me assaltou foi: há betadine no UK? Há, até porque eu o utilizo no serviço. Ok... Então como eu não estava a ver frascos de betadine em lado nenhum, pedi lá à menina para me arranjar um. Ela muito simpática lá me trouxe um frasco de spray de iodopovidona e eu muito parvinha, pergunto: "Não tem em líquido?"
A rapariga muito parva a olhar para mim, diz meio incrédula: "Não vendemos betadine líquido há anos... Só temos spray!"

Isto há com cada uma... LoL

16 de maio de 2012

Desvantagens de trabalhar



Sim, há desvantagens! E uma das desvantagens de trabalhar como enfermeira (apesar de muitas vezes haver aquelas pesetas que gostam de ser diferentes) é não poder usar verniz quando se está a trabalhar. Não que se vá para a passerelle mas é chato ter que colocar por dois a três dias, para depois tirar para ir trabalhar.
Neste momento não tenho este problema, os meus vernizes ficaram todos em Portugal, LoL...

12 de maio de 2012

Dia Mundial do Enfermeiro



A ti enfermeiro
Gente que cuida de gente
Amado, criticado
Desejado, tolerado
Esquecido no tempo da bonança
Querido no tempo de sofrimento.

A ti enfermeiro
Que suportas a dor
No olhar de um doente
Que ris, quando queres chorar
Que amansas o teu coração
Quando te apetece gritar
Que abafas a mágoa de ser gente.

A ti enfermeiro que vagueias
Velando na calada da noite
Aqueles que confiam em ti
Em noites infíndas, sofridas
Lutando contra a morte e o tempo.

A ti enfermeiro que mitigas
A alma e o corpo de quem geme
As dores de ser simples mortal.

A ti enfermeiro que enalteces
O sentido da vida
A dignidade humana
Esquecendo que também és gente.


Nota: há tempos recebi este poema e então decidi criar um post agendado para marcar este dia tão importante.

26 de março de 2012

Uma cidade debaixo do hospital



A primeira coisa que nos disseram, mal chegámos ao serviço, foi que não necessitávamos das tais fardas maravilhosas pois iríamos usar as "scrubs" que são bem mais confortáveis e não temos que levar para casa. Sim, porque aqui têm o hábito de levar as fardas para casa para lavar, ao contrário de que em Portugal, é o hospital que lava as fardas. Tal como já vi pessoal fardado no autocarro, nos carros ou simplesmente a chegar fardado ao hospital, o que me causou assim uma impressão bastante grande porque só pensava nas aulas sobre as infecções nosocomiais. Não só isso, o facto de lavarem em casa tem muito que se lhe diga porque quem tem bebés ou crianças pequenas ou até mesmo idosos, é um risco! Mas nenhum sítio é perfeito porque se fosse toda a gente ia para lá, LoL. Passando as imperfeições à frente…

Quando entrei no serviço fiquei de boca aberta! Aliás até mesmo quando entrei no hospital, acho-o muito bonito, como se fosse possível achar um hospital bonito mas este acho. Montes de janelas, boa iluminação, uma decoração de nada sombria. Em suma, um bom sítio para se trabalhar. O serviço em si, é simples porque também não pode ser sítio de muitos aparatos, tem é muitos corredores, muitas salas, muitas arrecadações e cheira-me que nos inícios se não andar acompanhada vou-me perder, LoL. Daí eu dizer que parece mesmo uma cidade debaixo do hospital!

A manager, super bem-disposta e simpática, apresentou-nos o serviço, a algumas pessoas, o nosso chefe (pessoa importante para se conhecer) e sem mais demoras, atribuiu-nos a alguns enfermeiros. Alguns ficaram com enfermeiros portugueses (sim porque no serviço onde estou existe uma equipa portuguesa considerável, volta e meia, a gente encontrava alguém a dizer “olá” em vez de “hello”) e outros ficaram com enfermeiros ingleses, como foi o meu caso. Eu fiquei com uma enfermeira especialista, que me esteve a explicar mais ou menos a dinâmica do serviço, os passos a dar, os registos a fazer, a burocracia, etc. Claro que a meio da manhã já estava com a cabeça em água tal era a montanha de informação, no entanto, tentei ao máximo mostrar-me disponível em ouvir… Admito que fiquei um bocado assustada com o que ainda me falta saber e só espero estar à altura do serviço.

Chegou perto do intervalo da manhã e ela fez-me a pergunta de há quanto tempo eu estava no Reino Unido. Achei estranha a pergunta mas disse há uma semana, ao qual ela me diz surpreendida: “Uma semana? Então há quanto tempo tens inglês? É que falas muito bem inglês, mesmo!”. Ai, que riqueza. O meu ego foi lá para cima! Estava mesmo preocupada que as pessoas não me percebessem por causa do sotaque ou porque ainda falo um pouco a gaguejar ou ainda me esqueço de certas palavras, ou seja, ainda não me sai naturalmente. Pelo menos é o que eu acho mas após ela me ter dito aquilo e me ter dito que apesar de obviamente eu ter um pouco de sotaque, comunicava muito bem, então senti-me muito mais confiante para meter-me com os doentes que apareciam.

Houve um senhor que se destacou porque fui ter com ele perguntando se estava tudo bem, se precisava de algo e ele pergunta-me ainda meio a dormir de onde é que eu era, então respondo-lhe que sou do belo do Portugal, ao qual ele diz: “Portugal?! Ai mas que ricos vinhos… Você tem vinho? É que eu pago-lhe se me trouxer vinho de lá!” LoL. A esta pergunta só podia haver uma resposta: “Você quer tinto, branco, porto ou moscatel?” Quando lhe fiz esta pergunta na brincadeira, os olhos dele brilharam e parecia que estava no céu, LoL. Pelo que me apercebi na conversa com os doentes, é que tanto a nossa bebida como a nossa comida são muito apreciadas, pena é a nossa exportação não ser a condizer. E lembram-se de eu dizer que no meu serviço tinha uma equipa considerável de portugueses? Não é que quando eu fui levar este mesmo doente a um serviço diferente, a enfermeira que o veio receber era portuguesa? Quase que se podia falar só português neste hospital, LoL.

Claro que estou a exagerar um pouco mas estando a falar com colegas enfermeiros que já estão a trabalhar há um ano no hospital, que no hospital inteiro devem haver pelo menos 100 portugueses porque volta e meia, reúnem-se, fazem jantaradas, etc. No entanto, uma das recomendações feitas pela manager foi mesmo não falarmos português enquanto estivermos de serviço, que já tinha havido uma reclamação (feita por colegas) porque alguns enfermeiros na sala de convívio falaram na sua língua materna (não necessariamente portugueses) e os restantes colegas que não percebiam consideraram uma falta de respeito. Não discordo mas que é esquisito falar inglês com alguém que sabemos que é português, é sim senhora! Até mesmo entre nós, o grupo novo, tínhamos que falar inglês e era muito estranho, LoL.

Fora isso, ainda não sei quem vai ser o meu “mentor” para a integração ao serviço e muito menos em que departamento vou ficar, só espero que me calhe assim uma coisa fofinha. Ainda é um sentimento de muita incerteza, não sei se por ser o primeiro trabalho ou se por ser num país com leis diferentes ou ambos, se bem que estou mais inclinada para a terceira opção.

Até agora pareceu tudo muito simpático, vamos a ver com o tempo…


Nota: eu avisei que iria ser um testamento, LoL.

18 de março de 2012

Ainda em viagens...

Hoje fomos visitar o hospital e a cidade para onde vamos mesmo trabalhar, que ficam noutra cidade.
Pode parecer-vos um pouco confuso mas é como se fosse um grande hospital dividido em dois, localizados em cidades diferentes, tendo entre hospitais um mini-bus que é gratuito para os trabalhadores que demora 30 minutos. Não que a viagem do hospital 1 para o hospital 2 seja chata porque não é e faz-se bem, é só mesmo a "viagem" das residências para o hospital 1 que lixa o esquema todo, no entanto, também já estávamos a contar não ficar muito tempo nesta cidade onde estão as residências provisórias.

Ontem estivemos a experimentar as fardas que nos deram... Tenho ideia, pelo o que percebi, que nem sequer as vou usar pois vou usar as scrubs do serviço. Mas só para terem noção do horror da coisa:


Além de me ficar enorme (porque me deram o número errado), parece uma farda de empregada de limpeza com o acrescento daquela abazinha no final, já dava para ser um vestido! LoL. Assim para o horrorosa mas é habitual darem umas fardas assim ao pessoal que chega, eu não vou usar esta (graças a Deus), porém há colegas que não tiveram tanta sorte... Coitadas, LoL. Engraçado foi ver o Mais-que-Tudo na mesma túnica pois o hospital também se enganou nas fardas dele e deram-lhe fardas femininas, LoL! Fica mesmo fofinho, ahahahah.
Note-se também ali atrás as minhas duas malas, a abarrotarem como seria de esperar, com tão pouco espaço.

13 de março de 2012

O começo de uma nova aventura

Disse que tinha notícias e assim é. Então, venho por este meio comunicar a boa nova: já tenho emprego e o Mais-que-Tudo também!
Fomos ao screening (ó para mim, a meter inglês na conversa), passámos com distinção, ficando assim apurados para a entrevista. Os testes (do screening) foram um pouco diferentes, eram dois testes, um era as drug calculations e o outro era uma “composição”, quer dizer, eu chamo-lhe composição mas oficialmente é o literacy test. Acreditem quando vos digo que eu tremia a escrever tal era a ansiedade!
Infelizmente, não existem provas fotográficas mas juro-vos que fomos os dois de fatinho para a entrevista. Todos executivos, pois é! Quando chegou o momento da entrevista em si, os meus maiores receios não era eu falar mal porque eu tenho consciência de que tenho um bom inglês, no entanto, tinha receio que colocassem um cenário clínico do arco-da-velha. Mal entro, vejo que são dois homens que me vão entrevistar, ambos simpáticos mas achei bastante intimidantes… Se me perguntarem ao certo as questões que me fizeram só as consigo dizer por alto. Não sei se era dos nervos mas acabei por me esquecer da maior parte, LoL.
Então mal entro, tento quebrar o gelo (mais para me deixar mais à vontade que outra coisa), pergunto-lhes o que estavam a achar de Portugal e que quando tivessem oportunidade tinham que passear pela cidade, aproveitar o sol. Ambos os senhores eram muito simpáticos e afáveis, então depois de quebrar o gelo, meu dito meu feito, fiquei mais à vontade e a partir daí foi sempre a falar até me calarem. Perguntaram-me o porquê de estar a concorrer para o Reino Unido, porquê para aquele hospital, falar um pouco sobre mim e depois as perguntas mais técnicas (Clinical Governance, Care Quality Commission, Scope of Practise…), além claro do cenário clínico, do qual estava a fazer um bicho-de-sete-cabeças e afinal foi relativamente fácil. Claro que sendo a Corina a ser entrevistada, tinha que ser especial e por isso no meio da entrevista meti futebol pois queria dar-lhes um marco para a Bila, acabando por mencionar que era a terra natal do Simão Sabrosa (que jogou no Reino Unido durante uns tempos), o impressionante é que eles são fãs de futebol, conheciam o jogador e ficaram curiosos com a cidade. Se o turismo da Bila aumentar e se o Simão Sabrosa for outra vez jogar em Inglaterra, não têm de quê, ok? LoL.
No final da entrevista eles disseram que gostaram muito da minha personalidade, que percebiam perfeitamente os meus nervos pois somos todos humanos e não máquinas. Gostei especialmente quando me disseram isso… Muitas vezes esperam que nós estejamos impávidos e serenos mas isso é impossível, a ansiedade é inevitável, principalmente e acima de tudo numa entrevista de emprego porque queremos ser bem sucedidos!
Tivemos que recusar outras entrevistas que iriam acontecer na mesma semana mas ainda bem que o fizemos pois entretanto, os senhores telefonaram-me a dizer que tinha sido aceite num hospital novo com tecnologia de ponta, para começar a trabalhar agora em Março! Quando desliguei o telefone, pensei que nada podia ser melhor. Como estava errada, minha gente... Passados uns minutos, o Mais-que-Tudo conta-me que tinha sido igualmente aceite para o mesmo hospital!

Inglaterra nos espera... Vamos a isto!