2 de fevereiro de 2013

Rotular em vez de educar?


No outro dia li um artigo (já nem sei muito bem onde) que desde 2007 até 2011 o consumo de medicamentos para a hiperactividade e que agora tanto os médicos como os pais estão preocupados com o efeito dos mesmos na personalidade dos filhos... 
Bem, em primeiro lugar acho que houve uma banalização do termo "hiperactivo" pois qualquer criança que esteja para a brincadeira ou que precise de um pulso mais firme ou de uma abordagem diferente, é logo conotada como hiperactiva. Quando os pais dizem  "ai, desculpe, ele é hiperactivo", que é como quem diz "repare, ele não é mal-educado, ou seja, eu não falhei e não estou a falhar como pai neste preciso momento porque devia levantar o rabo da cadeira para o meter na ordem, mas a questão é que isto é uma questão médica, técnica, sabe?, uma questão que está acima da minha vontade e da vontade do meu menino, olhe, repare como ele aperta o pescoço àquele pombinho, é mais forte do que ele, está a ver?".
Isto enfurece-me um bocado porque existem mesmo crianças hiperactivas e que isso se deve a todo um desequilíbrio químico entre outros factores (que Deus dê muita paciência e força a esses pais) mas há quem pense que isto da hiperactividade se passa por osmose ou que se trata mesmo de uma epidemia repentina. Não digo que agora há muito mais informação e que as pessoas estão mais alerta, contudo acredito que muitos pais rotulam os seus filhos de hiperactivos mas o problema é apenas falta de paciência para colocar um limite ou até mesmo falta de regras. 
Então mas não é tão mais fácil dar umas gotinhas de medicamento do que dar uma "palmada"? Dá menos chatices e o os médicos até ganham com isso pois prescrevem mais, o laboratório patrocina mais, então toda a gente fica feliz. Menos a criança...
Claro que não sou a melhor pessoa para falar porque ainda não tenho filhos mas, na minha opinião, há de facto uma despreocupação relativamente a dar uma educação às crianças.

O que é que vocês acham?


11 comentários:

Heartless disse...

Se calhar leste o mesmo artigo que eu. Mas também considero que o termo hiperativo é utilizado para os pais se escaparem dos problemas que uma criança irrequieta provoca.

B.M disse...

Concordo plenamente contigo! Hoje em dia parece que deixou de haver espaço na agenda dos pais para a educação! Não há tempo para um sermão e nem paciência para uma palmada (que nunca fez mal a ninguém). E fala uma pessoa sem qualquer experiência no que toca a dar educação a um filho, pois ainda não tenho nenhum, mas muito me espanta ver a forma como hoje se educa! A propósito deste teu post lembrei-me de uma que a minha mãe me contou sobre senhora que fez um seguro ao filho. Seguro esse que cobre qualquer dano causado dentro de uma superfície comercial! Ou seja vamos às compras e o menino pode andar à vontade porque se partir ou estragar o seguro paga! Fiquei chocada, agora em vez de educação fazem-se seguros!

Sílvia disse...

Concordo completamente contigo. Acho que na maior parte dos casos não é hiperactividade mas sim uma tremenda falta de educação. Parece que cada vez mais é visto com maus olhos o facto de os pais darem um raspanete aos miúdos, seja levantar a voz ou dar uma palmada (que eu acho que nunca fez mal a ninguém se for no momento certo e por uma razão válida). Portanto é muito mais fácil dizer que a criança é hiperativa. Se queres que te diga acho que os miúdos cada vez mais fazem tudo o que querem e os pais não são capazes de se impor, os putos gritam, esperneiam, fazem birra e os pais simplesmente ficam impávidos e serenos.
Faz-me um bocadinho de confusão confesso, mas não tenho filhos portanto não falo por experiência própria.

agatxigibaba disse...

Concordo, é um escape fácil. Uma justificação boa para todos, até para a criança/adolescente que tem desculpa para fazer o que lhe der na cabeça...

enfermeirouk disse...

Corina, andas a ler o Expresso?lol
Acho que os pais é que devem levar uma palmada...

Vera, a Loira disse...

Sou exactamente da mesma opinião que tu, banalizaram a hiperactividade, agora qualquer miúdo é hiperactivo, os pais não deviam usar isso como desculpa para tudo, é difícil educar mas não é através de medicação que lá vai.

GF disse...

Querida, apos alguns comentários desagradáveis de pessoas da minha santa terrinha, mudei o meu cantinho para aqui:
http://omelhorcaramelo.blogspot.pt/, espero que me visites.

Zoana disse...

Concordo plenamente...
É o caminho mais fácil: "Ah ele é assim porque é hiperativo..."

Enfim...
Espero ter discernimento qdo chegar a altura de ser eu a ter filhos.
Falo tanto "de borla" que acho que vou ser mto massacrada qdo for a minha vez...

Hibiscus disse...

Eu concordo, hoje em dia os pais não tem paciência para aturar os filhos e estes tornam-se mal educados e querem fazer tudo à sua maneira e os pais para desculparem um bocado o comportamento dos miúdos dizem que são hiperativos.

Anónimo disse...

Falo como professora.
O desempenho escolar das crianças medicadas para síndrome de hiperatividade com défice de atenção é muito melhor do que quando estão elas sem medicação, sendo que isto se reflete positivamente na respetiva autoestima.
Uma criança que com frequência sente que não consegue corresponder ao que dela se espera, é infeliz.
Não acusem os pais; eles também são grandes vítimas desta situação.
Bem-hajam.

Meos Desabafos disse...

Sem dúvida que muito mais fácil rotular uma criança e passar as culpas para o médico, psicólogo ou outro técnico que acompanhe a criança; pagando e ouvindo o que muitas vezes se quer ouvir...
Eu raramente me lembro de ouvir falar em crianças hiperativas, de há uns anos para cá tem vindo a ser "prato do dia"!

Eu, partilho da mesmo opinião, em que diria que pelo menos 70% das crianças que atualmente são rotuladas como hiperativas, não o são realmente! O que existe é sim a energia própria da idade e falta de capacidade (e vontade!) por parte dos pais para os colocarem "na linha"...

Mas talvez o que exita seja mesmo uma geral falta de valores...
Por vezes tenho que dar o braço a torcer e dar razão a algumas pessoas com mais idade e que continuam agarradas ao passado e que nem sempre têm a opinião mais correta da realidade. Mas que neste sentido até parece que estão certos.