20 de junho de 2018

Síndrome de Mãe Perfeita




Eu tive que pensar mesmo muito sobre este post e por isso demorei tanto tempo a escrevê-lo… Principalmente pois demorei um bocado a saber transpor certos sentimentos e certas coisas. Peço desculpa se estiver um pouco confuso mas aqui vai!

Em primeiro lugar, é preciso falar da ideia que os media passam do que é “ser-se mãe”. Desde pequenas que aprendemos que devemos ser mães maravilhosas, cuidadosas, apaixonadas e que o instinto materno irá nos atingir que nem um raio, a partir do momento em que sabemos que estamos a criar um bebé dentro de nós… isto tudo parece maravilhoso mas nem sempre (ou quase nunca) isto acontece de modo instintivo e inato para a mulher.
A verdade é que a maternidade atinge-nos como o mar. Começa primeiro por levar tudo à frente, como uma onda, quase sem termos tempo de perceber o que raio se está a passar... E depois lentamente o ser-se Mãe vai crescendo e aumentando como a maré.

Não importando de todo quais as expectativas que tínhamos pois a realidade é sempre diferente.
Não que tivesse uma imagem muito romântica da maternidade, não que não quisesse ser mãe… eu queria e muito! Nas primeiras semanas não foi assim tão mau, apesar de acordar várias vezes para dar de mamar, o moço devia estar ainda atordoado por isso era bastante sossegadito.
Olhando para trás, devia ter aproveitado para descansar ao máximo mas não, a ideia de “eu tenho um filho e vou conseguir fazer tudo” estava presente em mim. Só que esquecia-me que tinha estado quase 48h sem dormir e o meu corpo nem sequer tinha recuperado do parto! Lá andava eu a limpar a casa, passar roupa... Maluquinha de todo, eu sei.

Depois das primeiras semanas de atordoamento, o moço revelou-se: as cólicas, as lutas contra o sono, o choro desesperante... Tal como já tinha dito nesse post, foi uma temporada do inferno, com a nossa inexperiência a ajudar mas como tudo, lentamente foi passando.

O que não foi passando foram os pensamentos que iam rolando na minha cabeça, tipo mantras: tu não sabes o que estás a fazer; não estás preparada para ser mãe; és uma péssima mãe; só tu no universo não tens instinto maternal; entre outros. Dava comigo a chorar compulsivamente com o Príncipe nos braços. Se eu queria falar com ele? Choro. Se eu quisesse brincar com ele, choro. Se eu queria fazer festinhas… choro.

Já tinha mencionado os baby blues mas ainda não tinha conseguido descrever como deve ser. É-me mesmo muito difícil colocar em palavras… primeiro pois pensava que as pessoas iam ter a ideia de mim como péssima mãe: "mas que raio de mulher não fica feliz com o seu bebé nos braços?" (sim, esta era uma das habituais na minha cabeça na altura). Agora? Agora vejo que é completamente normal, maior parte passa por isso, contudo, simplesmente parece ser um grande tabu.

O problema é esse mesmo, há a noção, criada pela sociedade, de que deveria ser o momento repleto de rosas e passarinhos a voar... Quando, na verdade é normal haver momentos tanto de felicidade plena, como de tristeza, irritabilidade, choro (muito) fácil, cansaço constante, desinteresse por si própria e até mesmo do bebé.
Eu na altura que estudei Obstetrícia, já se dizia que os baby blues ocorrem em 85% das mulheres. Bem mais de metade! E olhem que ainda não vejo isso a ser falado na sociedade… pois quando acontecem de forma mais grave e duradoura, pode levar a depressão pós-parto que é um outro assunto muito sério.
Eu podia explicar-vos as alterações que são os factores implicados dos baby blues e depressão pós parto: uma queda abrupta de hormonas, às vezes a falta de suporte familiar ou dificuldades económicas e ainda historial pessoal ou familiar de depressão. Podia explicar cada um deles… mas a verdade é que nenhum deles, verdadeiramente, explica como uma mulher se sente durante esta primeira fase de ter um bebé.

É normal que muitas vezes as mães sejam inundadas com as perguntas “será que isto é normal?” ou ainda “será que estou a fazer alguma coisa mal?”, já para não falar daquele sentimento de culpa tão omnipresente na vida de uma mãe. Tal como já tinha mencionado antes, são mantras que estão constantemente a passar na nossa cabeça em repeat, deixando-nos numa ansiedade estratosférica… Leva a uma tristeza profunda e a crises de choro.
Eu que nunca fui muito de chorar, nesses primeiros meses, chorei tanto mas tanto, que pensei que não ia conseguir parar! Parece exagerado contudo era assim que me sentia. E depois não era só o facto de chorar mas sim as crises de choro angustiante, em que sentia um aperto tão grande que tinha dificuldade em respirar.

Eu já tinha passado por uma depressão e ter passado pelos baby blues, marcou-me bem mais! É difícil de explicar mas estando depressiva, parece que o nosso cérebro e o nosso corpo estão dormentes. Não queremos sentir nada e fazemos por isso... estamos dentro de uma caixa fechadinha dentro da nossa cabeça em posição fetal e dali não queremos sair.
Porém, com os baby blues é um bocadinho diferente. O nosso cérebro não está dormente, estamos a processar imensa informação e a tentar assimilar tudo, a tentar funcionar com apenas algumas horas de descanso, a cuidar de um ser que precisa de nós para tudo... O nosso corpo está zangado connosco, passou por muito e precisa do tal descanso que teimamos em não dar.
Então isto resulta a que nós dentro da nossa cabeça estejamos a bater contra as grades de uma jaula, a gritar em plenos pulmões que queremos cuidar do nosso bebé e dar-lhe todo o carinho do mundo mas a porcaria das barras continuam lá.
A jaula são as nossas hormonas, que não deixam o nosso corpo corresponder ao que queremos fazer, alimentando o nosso cérebro com ainda mais dúvidas. Tem assim um efeito de síndrome locked-in  (onde os movimentos do corpo inteiro são paralisados com a excepção dos olhos mas continuando as faculdades mentais completamente funcionais), nós a ver a situação como que a ver um filme e a não poder fazer nada sobre o assunto senão esperar que a jaula decida enfraquecer e nos deixar sair.
Demorei quase 2 meses a voltar-me a sentir-me "normal", a conseguir falar, brincar, fazer carinhos ao meu Príncipe sem começar uma crise de choro. Se um par de meses é normal para "sair" daquela situação? Não sei... mas apenas um dia com baby blues já é longo o suficiente!

Por isso a qualquer futura ou nova mãe ou mesmo às mais experientes ou até para vocês partilharem, eu quero deixar uns conselhos para ver se acabamos com este síndrome de mãe perfeita: a casa por limpar, a roupa por lavar ou passar, o marido, trabalho, tudo fica em segundo, terceiro ou whatever plano... o que é importante é que descansem esse corpo que passou por tanto e essa cabeça que está a funcionar a mil.  Além de não ter vergonha de pedir ajuda ou simplesmente pedir para desabafar!

Independentemente do que te digam ou do que digas a ti própria, espero que saibas que estás a fazer um trabalho espectacular e sabes porquê? 

Porque é o teu bebé e ninguém o conhece melhor do que tu que és Mãe pois apesar do que se está a passar com o teu corpo e com a tua cabeça, esse amor está-te tatuado, para sempre, na tua alma!

12 de junho de 2018

A segunda viagem



Ora aqui vamos nós para a nossa segunda viagem a Portugal... o nosso Príncipe é um viajado!

8 de junho de 2018

Osteopatia Pediátrica, Pré e Pós-Natal


Já há alguns anos que a Osteopatia tem um lugarzinho na vida da vossa soberana... conheci um osteopata simplesmente fantástico na Bila que me resolveu o emaranhado que é as minhas costas. Tinha bastantes dores que após duas consultas, nunca mais as tive. Depois apenas fazia uma consulta por ano (por vontade minha, não que ele me dissesse que precisasse) para manutenção ou para tratar de alguma maleita momentânea.

Por acaso, bem antes de engravidar, tinha falado com o meu osteopata que as limitações dele são osteopatia pediátrica e pré-natal. Portanto quando comecei a ter umas dores fulminantes (ao ponto de não conseguir andar) quando estava grávida de 13/14 semanas, pensei logo que não podia lhe pedir uma consulta, já para não falar de que não queria viajar de avião se não fosse necessário. 
Na altura falei com a minha midwife que me disse que era uma maleita de gravidez e que tomasse Paracetamol. Só que para além de eu não querer tomar medicação desnecessariamente, eu sentia que não era uma maleita normal, pois não é normal uma grávida da minha idade ficar, ao longo de 2/3 semanas, sem andar devido às dores. Falei então com o meu Obstetra que levou as minhas queixas muito a sério e me recomendou um osteopata aqui no UK, especialista em mulheres grávidas.

Sim, um Obstetra aconselhou-me um Osteopata... incrível, eu sei.

Fui à primeira consulta e logo de imediato senti um pouco de alívio. Na verdade, durante a consulta, estive sempre a pensar que aquilo não ia dar em nada pois ele fazia movimentos mesmo muito suaves. Na segunda consulta, ele pergunta-me como estava e fui sincera: "olhe eu achava que isto não ia fazer nada mas afinal sinto-me melhor!" LoL Ao qual ele responde: "então, claro, tu estás grávida, não posso simplesmente começar com movimentos bruscos." Tem razão homem, tem razão!
Ao final de apenas duas consultas, eu pude finalmente desfrutar a minha gravidez! Mantive-me sempre activa, a caminhar mas nada de exercícios mais pesados (HIIT ou pesos). Foi o ideal! Claro que quando cheguei às 36 semanas tive que fazer caminhadas mais pequenas pois uma simples caminhada no parque deixava-me cheia de contracções, LoL.

Depois veio o parto... E quando o Príncipe tinha quase um mês, uma amiga minha falou-me em consultas de osteopatia pediátrica que até ajudavam com as cólicas. Nessa altura já estávamos com o décimo círculo do inferno controlado mas pensei: mal não fará e então, porque não?
Lá levei o nosso Príncipe à primeira consulta de osteopatia...Outra vez, a início pensei que eram tão gentis que não iria fazer nada mas a verdade é que após terem feito um exame físico referiram certos aspectos do parto que eu não tinha dito, que estavam a afectar o pequeno.
E após algumas visitas ao osteopata era incrível a diferença nele... Primeiro ainda pensei que fosse uma coincidência mas a verdade é que cada vez que íamos a uma consulta, o Príncipe ficava super relaxado.
Após algumas consultas não havia necessidade de ele continuar a ser seguido mas agora que já se senta, começa a tentar gatinhar e a colocar mais peso nas perninhas, acho que seria uma boa ideia fazer um check-up brevemente.

Contudo, a parte milagrosa para mim da Osteopatia foi mesmo comigo. Tal como tinha mencionado no "Eu quero o meu corpo de volta" e "A revolta do corpo", após o primeiro mês comecei a sentir dores muito grandes nas costas. No início pensei que seria ainda o meu corpo a recuperar da gravidez e também do parto... mas a verdade que ao final de 3 meses não só continuava com dores, como estava pior ao ponto de coisas do dia-a-dia serem extremamente dolorosas (ir às compras, estender roupa, aspirar, etc). Queridos súbditos, eu não conseguia fazer nada! Até deitar o bebé às vezes dava umas guinadas de dor que me deixavam com lágrimas nos olhos... por isso qualquer tipo de exercício que eu queria fazer, era para esquecer, apesar de eu tentar fazer caminhadas mas acabavam sempre comigo a arfar de dores. No desespero entrei em contacto com um osteopata pós-natal na clínica onde o Príncipe teve as consultas dele... mas a verdade é que após duas consultas não via melhorias nenhumas, nem sequer melhoras nas dores.
Fui ao médico de família que me receitou medicação (que nunca cheguei a tomar pois estava a amamentar e não queria tomar medicação desnecessariamente) e fisioterapia, que na verdade não me fez nadinha.
Quando fomos a Portugal, obviamente, entrei em contacto com o meu osteopata... Após a primeira consulta não obtive melhorias completas mas em termos de dores fiquei 70% melhor! Ao qual ele me alertou que era normal e que tinha que me manter activa para o meu corpo se ajustar. Aproveitei já que em Portugal temos família, para tomarem conta do Príncipe enquanto eu ia a massagens e acho que as consultas, as massagens e os passeios pela Bila ajudaram imenso.

A verdade é que levou umas semanas mas, caros súbditos, estou oficialmente sem dores e muito mais móvel! Não estão a ver a minha alegria quando consegui fazer uma caminhada pelo parque com o Príncipe pela primeira vez sem ter que parar a cada 10 minutos. Já consigo fazer caminhadas de uma hora ou uma hora e meia, exercícios com pesos, brincar à vontade com o Príncipe (que engorda a olhos vistos)... Simplesmente incrível!


P.S. - sim, eu sei que podia ter sofrido menos e ter tomado medicação mas a verdade é que eu preferia aguentar com as dores do que estar a tomar drogas enquanto grávida ou a amamentar.

6 de junho de 2018

PoTD: update 10

Ora cá estamos para mais um update ao desafio Photo of The Day, que tal como já tinha explicado antes, consiste em colocar no Instagram uma foto por dia: que vai desde as minhas aventuras pelo UK, como das viagens que fiz ou ainda dos meus guilty pleasures fotográficos e muito mais... Espero que gostem!





Nota: não tenho o meu Instagram público mas se me quiserem seguir basta adicionarem @her.royal.highness742.

4 de junho de 2018

Dead Beautiful series



"Everyone has the ability to urt. It's the choice that matters." - Dead Beautiful 

"Do you believe in soul mates?" I whispered . "You mean a human who has the soul of an Undead? No. The idea of a soul mate. That there's only one person that's really right for you in this world." I could hear Noah breathing as he thought. "No." "Why?" "Because it gives us no choice. It means that some cosmic force has already chosen the person I'm supposed to love. But that's not how it works. I don't want to be with someone who completes my soul; I want someone who will open it. I want to be able to choose." - Life Eternal 

"The worst kinds of nightmares are the ones you have while you're awake." - Love Reborn

Acho que coloquei esta trilogia da autora Yvonne Woon na minha lista de livros para ler por sugestão ou de algum grupo de leitura ou do Goodreads... Já não me recordo ao certo, LoL.

O que é certo é que li os três livros e assim em primeira impressão não foram os melhores livros da minha vida. Contudo a premissa é interessante, neste universo as crianças até aos 21 anos se morrerem passados 10 dias reanimam e chamam-se Undead. Contudo, mesmo assim não são imortais, têm como que uma "validade" de certos e determinados anos. Para controlar os Undead,  porque senão era o verdadeiro bacanal, obviamente, existem os Monitors que se separam por variados skills.
Claro que há ali uns star crossed lovers e apesar de pensar, durante o primeiro, que seria um bocadinho demasiado adolescente para mim... A verdade é que dei por mim a continuar a ler pois o cerne da história torna-se cada vez mais complexa e o mistério estava a dar cabo de mim, LoL.
Até ao terceiro livro.. que foi um suplício para acabar. As desnecessárias longas descrições estavam a dar cabo de mim! E o final? Mas o raio é aquilo? Imensamente frustrante.

Não consigo aconselhar-vos esta saga... com tanta coisinha melhor por aí.

2 de junho de 2018

Dolce Gusto


Nunca gostei muito das máquinas de cápsulas  e agora pensando nisso, acho que essa aversão começou com a Nespresso (que não sou de todo fã). Até há bem pouco tempo sempre fui recusando comprar uma máquina do género, até ter estado em casa de uns amigos que tinham uma Dolce Gusto.

Não só tive que dar o braço a torcer como fiquei maravilhada... dá para imensas coisas e as cápsulas não são tão caras e super fáceis de arranjar. Ao contrário da Nespresso que tens que encomendar online ou ir à loja oficial, há cápsulas da Dolce Gusto à venda nos supermercados. E depois tem cápsulas de tudo: várias qualidades de café, chocolate quente, cappucino, café au lait, mocha e até Nesquik!

Escusado será dizer que fiquei rendida e pensei que seria a única a utilizar pois o Mais-que-Tudo não bebe café mas até ele utiliza a máquina. Portanto, como dizia Fernando Pessoa, primeiro estranha-se e depois entranha-se. 

E vocês? Já experimentaram uma Dolce Gusto? Ou preferem Nespresso? Ou não gostam das cápsulas de todo?