14 de abril de 2018

Anatomia de um emigrante


Como vocês sabem a vossa Soberana fez em 2018, 6 anos que se mudou para o UK de armas e bagagens. Ao longo destes anos fui escrevendo sobre o que é viver num país diferente, o que é ser bilingue, a diferença entre pessoal emigrante que veio viver ou sobreviver, entre muitas outras coisas... Mas apercebi-me que gostava de fazer um post mais abrangente sobre o assunto e por isso mesmo, aqui vai!

Acho que vou começar pelo mais difícil... as saudades. Mudar para o estrangeiro vai acarretar muitas saudades e até parece óbvio e lógico mas o que as pessoas às vezes não pensam é de que além das saudades da família e amigos, sentimos saudades de coisas, sítios e até (principalmente) comida!
Em contrapartida, ganhamos mais uma casa. Sim, porque apesar de para as outras pessoas parecer cliché a frase "home is where your heart is" para o pessoal que emigra é a mais pura das verdades. E é por isso que depois responder à pergunta "Onde é a tua casa?" se torna mais difícil: casa? qual delas?
As despedidas também se tornam mais fáceis pois além de se tornarem parte do nosso normal, as amizades intensificam-se tanto, quando visitamos como qualquer mensagem online trocada para manter a conversa em dia. Acabamos por também perceber que conhecidos há muitos mas amigos há poucos... Há pessoas que naturalmente vamos perder contacto pois as pessoas crescem, inevitavelmente vamos estar/ser diferentes mas os verdadeiros amigos tentarão sempre manter contacto.

Quando regressarmos para umas férias e matar as tão faladas saudades, é provável que comecemos a ver a nossa casa, cidade, país de maneira diferente. Temos outra percepção do mundo e outros conhecimentos, vendo assim a nossa casa, de origem, de maneira diferente. Principalmente quando mostramos, com aquele brilhozinho nos olhos, fotos aos locais, que ficam super interessados em conhecer, dando eles novas perspectivas também. E é mais ou menos assim que nasce o nosso part-time, LoL.
Uma coisa que nunca mudará é aquele sentimento de euforia quando recebemos uma encomenda com coisinhas boas do nosso país de origem. Sim, normalmente é quase sempre comida mas são esses miminhos que muitas das vezes aliviam os nossos cravings das mercearias portuguesas. Pois, isso é outra coisa que nos temos que adaptar: ir ao super-mercado e quase tudo (senão mesmo tudo) ser diferente!

No início, sentímo-nos como outsiders mas tudo bem, nós somos outsiders... Não sabemos totalmente os costumes, ainda nos estamos a habituar à nova língua (calão, provérbios, expressões, etc), entre outras coisas mas depois ao final de algum tempo a nos adaptarmos em vez de outsider tornamo-nos quase como num local. E na minha humilde opinião, acho que conforme nos vamos tornando cada vez mais num local e ao longo que o tempo passa, vamos começando a sentir cada vez mais a tão católica culpa. Sentimo-nos culpados por não conseguirmos ir a casa passar o Natal, não estar presente em aniversários, perder casamentos, etc. Contudo, isto tudo vai acontecer mesmo sem nós lá e temos que nos ir habituando que a vida não pára simplesmente porque não estamos lá.

Talvez seja por isso que os desafios que encaramos pareçam diferentes? Relativizamos tudo, talvez por termos passado por tanto e por vermos que agora as coisas importantes são outras. Outro cliché, eu sei, LoL. Mas a verdade é que acabamos por nos tornarmos mais confiantes. E mais cultos, também... afinal de contas acabamos por conhecer outras culturas, religiões, diferentes maneiras de viver e isso enriquece-nos como pessoas! 

8 comentários:

carlos ramos disse...

Partilho do seu raciocínio - continuação de "muito bem estar" por essas terras. Hoje é dia de sol por estas bandas :-)...

Sofia disse...

Muito bom este post! ;)

Manuela Vaz disse...

é tão bom saber a opinião de quem está fora, belo post! :)

beijinho
The Midnight Effect / Instagram

Princess Cat disse...

Deve ser uma experiência incrivel a ir viver para outro país.
R. Sim finalmente voltei =) Ás vezes sentia falta

Andreia Morais disse...

Nunca passei por esta experiência, mas acredito que tenha os seus prós e os seus contras, e que cada um deles tenha um peso diferente em determinados momentos. Ainda assim, aquilo que se cresce enquanto pessoa deve ser quase indescritível!

JU VIBES disse...

Recordo-me de ler a fase inicial de uma recém-licenciada em Enfermagem a ir trabalhar para os UK. Como o tempo passa depressa!

E confesso que também eu considero a possibilidade de o fazer (não para o UK, embora as propostas sejam várias!), apesar das saudades.

Ainda assim, talvez não me custasse tanto. Os meus pais já são emigrantes. Mas quem sabe? Só passando por elas!

Um beijinho, Soberana!

JU VIBES | JU VIBES @itsjuvibes ❤

Vânia Calado disse...

Nunca fui emigrante, mas acredito que nos faça crescer muito e em alguns dias deve ser muito dificil lidar com as saudades.

Beijinhos

Cynthia disse...

Eu acho que não teria essa coragem. As saudades seriam muitas e preciso demais dos meus para me afastar! E afastar os meus filhos, que acho que precisam crescer com a família por perto.