18 de janeiro de 2019

Amamentação: a grande aventura


Estive, durante bastante tempo, a adiar este post pois é mesmo uma grande aventura que ainda estava a decorrer até há bem pouco tempo. O que quer isto dizer? Quer dizer que começamos 2019 sem amamentação mas vamos começar pelo princípio...

Quando o Príncipe nasceu a razão pela qual ficámos uma noite extra no hospital, foi pelo facto dele na altura, não fazer uma pega correcta. Ou seja, quem pense que todo o santo bebé sai da barriga da mãe a saber mamar, desengane-se! Há bebés que só com o cheiro a leite fazem logo uma pega correcta, depois há bebés que demoram a ter uma pega como deve ser pois ou são trapalhões ou são preguiçosos e depois há ainda os bebés com o freio preso mas isso já é outra história.

O nosso início, nesta aventura que é a amamentação, foi assim atribulado mas com muita insistência, persistência e fé nas maminhas, que o Príncipe ficou um profissional. Quanto a mim... primeiro quando o Príncipe mamava, saía colostro mas ao final de 2/3 dias tive a tão famosa "subida do leite". Fiquei a perceber, bem melhor, essa expressão. É que sobe uns calores... credo! Tive imensas dores na subida do leite, as mamas ficavam duras que mais pareciam verdadeiros penedos.
É nesta fase que mastites ou abscessos podem acontecer, por isso mesmo, tive imenso cuidado com as maminhas. Comprei uns discos de gel, que um deles aquecia, para colocar nas maminhas antes de dar de mamar, e o outro colocava no frigorífico para colocar frio depois de dar de mamar. Não vos consigo expressar em palavras o alívio que sentia com esta terapia quente-frio aliás às vezes bastava ter a água do duche mais quente, que começava a escorrer leite, LoL. Qual tratamento de Spa, qual quê!

Após a subida, após a primeira fase em que as minhas maminhas se habituaram à produção de leite... Amamentar foi fácil.
Leite sempre pronto e sempre disponível. Se tira um bocado à nossa independência? Sim tira mas os benefícios superam definitivamente os sacrifícios. Tenho a dizer que até tive sorte pois o Principe foi um bebé que naturalmente mamava de 3 em 3 ou de 4 em 4 horas. Para quem não sabe há uma grande pressão para a amamentação ser em "livre demanda", isto é, quando o bebé quiser. O que na teoria faz sentido mas não foi o caso do Príncipe. Tanto como o bebé, a mãe não nasce ensinada... Aprendemos a interpretar o choro da nossa cria. É uma aprendizagem que não pára na amamentação!

E já que estamos a falar de "pressão" gostaria de deixar uma menção honrosa a todas as pessoas que dizem a uma mãe que está a amamentar que devia dar fórmula/suplemento. Um minuto de silêncio para essas pessoas...

LoL.

Bem, continuando, a nossa aventura, eu amamentei em exclusivo até mais ou menos os 6 meses do Príncipe. Quando eu achei que ele estava pronto (sim porque os bebés não são robôs e magicamente só no dia que fazem 6 meses é que eles estão prontos para comida), comecei a introduzir a comida muito lentamente. No início dava na mesma mama no final de cada refeição até ele nem pegar pois não estava interessado e foi mesmo assim, muito lentamente e ao ritmo do Príncipe que ele deixou de mamar durante o dia.  Preocupava-me imenso o facto de voltar ao trabalho e o Príncipe ainda precisar de mama durante o dia... e o facto de eu não estar por perto para lhe dar. Então, por volta dos 7/8 meses, o Príncipe só mamava durante a noite e aí é que a amamentação se tornou difícil!

Numa altura de dentes a nascer, regressão do sono e pico de crescimento, o Príncipe em vez de acordar de 4 em 4 horas ou de 5 em 5 horas durante a noite, era capaz de acordar de 2 em 2 horas ou de hora a hora se a noite fosse mesmo má... Eu dizer que estava cansada é um eufemismo. Eu parecia um zombie! Não conseguia ter um pensamento coerente... Como eu conseguia cuidar do Príncipe, tratar da casa e ainda ir trabalhar, é mistério para mim. 
E para o pessoal que diz, ele acordava imenso pois o meu leite não era suficiente, ele era viciado na mama e outras parolices que me disseram na altura. Desde então nada mudou na nossa rotina, não fizemos nada de diferente, simplesmente estava lá sempre para o meu bebé enquanto ele precisasse de mim.
Foi uma fase mesmo complicada mas persistimos e lentamente o Príncipe começou a acordar cada vez menos durante a noite para mamar, até uma noite que ele não acordou para mamar. Primeiro fiquei incrédula... Não, não pode ser, pensei eu. Segunda noite, não voltou a acordar e quase, quase que queria fazer uma dança da vitória. Ao final de uma semana e ele sem acordar, a nossa jornada da amamentação terminou perto dos 15 meses dele. Quanto a mim as minhas maminhas não sentiram diferença pois todo este processo foi muito gradual. 

Agora olhando para trás, fico imensamente feliz por ter insistido no início, por ter persistido quando estava mais para lá do que para cá e por ter deixado o desmame acontecer naturalmente... Muito provavelmente vai haver pessoal a dizer que fiz isto ou aquilo mal mas esta foi a nossa aventura e fico mesmo feliz com a nossa jornada.

O melhor conselho que me deram foi relativamente à amamentação mas que pode ser para tudo, na verdade, é que: tu és a mãe, tu és a pessoa que melhor conhece o teu bebé, mesmo sem ele falar, tu sabes o que ele precisa. E além disto? Um excelente mantra para se ter quando temos dúvidas relativamente à amamentação é: as maminhas são fábricas, não são armazéns e o meu bebé não é un leitão para a engorda. Quando te colocarem macaquinhos na cabeça a dizer que não tens leite suficiente, que o teu leite é fraco, ou o raio que o parta mantém esse mantra a passar em loop na tua cabeça e tem a plena certeza que o teu leite é a melhor coisa que tu podes oferecer ao teu bebé. 

10 comentários:

A Pimenta* disse...

Nem de propósito, hoje saiu no meu blogue a minha experiência com a amamentação. Não dei de mamar a nenhum dos meus filhos porque o meu corpo assim o ditou. Se foi difícil? Foi. No início senti-me menos mãe do que todas as outras. Mas hoje, reina a tranquilidade porque foram situações que me ultrapassaram.

Green disse...

Ainda não sou mãe mas imagino que não seja um processo fácil.

Gil António disse...

Olá:- A culpa não será dos pai que não prepara o mamilo da mulher para a amamentação do bebé? ( desculpe a brincadeira mas é uma brincadeira séria, lol)
.
Bom fim de semana.

*** Refresquei-me nos pingos do teu olhar ***

FME disse...

Admito que é o que mais me assusta na maternidade. Não sei se vou conseguir lol

Acrescenta Um Ponto ao Conto disse...

Queridos amigos leitores,

é com todo o carinho que vos convidamos a ler o capítulo 5 do nosso conto escrito a várias mãos "Ecos de Mentes". Que esta semana chegou pela mão do Albino Pereira, interpretando a personagem Matilde.

Votos de excelente fim-de-semana!
Saudações literárias

Coisas de Feltro disse...

Tão bom conseguir amamentar assim o bebé. Eu "estiquei" o mais que consegui mas foram apenas 4 meses no caso mais prolongado. Por mim seria muito mais, mas a natureza assim ditou.

Love Adventure Happiness disse...

Sem dúvida... Nunca senti leite a subir, nunca jorrei leite mas também não tinha de alimentar um bezerro e sim um bebé, a minha bebé que como o teu parecia um relógio e o desmame foi muito fácil e não me arrependo de nada...

Jasmina Dimitri disse...

Great post! :) PS: Do you want to follow each other? Let me know on my blog so I can follow you back. :)

The Fashion Spell

Graça Pires disse...

Tenho 2 filhos. Sei o trabalho que dão e como tudo nos parece difícil até nos habituarmos… Muitas felicidades.
Uma boa semana.
Um beijo.

C. Correia disse...

Subscrevo cada palavra! (Muitas palmas!) :D é mesmo isto!

Bjinhos!!!