23 de setembro de 2022

Dolly Parton: my life and other unfinished business (opinião SEM spoilers)


Acabei este audiobook e adorei mesmo ouvir o livro que é narrado pela própria Dolly!

Adoro o sotaque da mulher e além disso, ela tem uma forma emotiva de se expressar, já para não falar do seu maravilhoso sentido de humor.

Então não é que este meio metro de gente, não só ameaçou o Silvester Stalonne como lhe ensinou uma lição de vida?! Expliquem-me, como não gostar desta mulher?

Além dessas histórias e outras da sua jornada no mundo do showbiz, gostei muito da passagem onde ela conta que sempre sentiu dentro dela que não queria ter filhos. Que adora crianças mas que sempre achou que não era algo para ela...

Como na altura em que atingiu o estrelado e ficou mais famosa, para responder a perguntas relativamente a este tema, em vez de sentir o julgamento das pessoas, começou a dizer que simplesmente não conseguia ter crianças. Em parte era verdade mas não toda a verdade, fazendo-a sentir um pouco culpada. Mas como as pessoas se sentiam desconfortáveis com a conversa, então lá a deixaram em paz.

Acho que essa altura foi por volta dos anos 60 ou 70 e é incrível como passados mais de 50 anos, existe ainda esse julgamento. Felizmente nos dias de hoje fala-se mais, há um diálogo mais aberto sobre este assunto mas existe ainda uma grande pressão nas mulheres.

"Tens que casar. Tens que ter um filho. Só um filho? Estás a ser egoísta e a roubar o teu filho de um irmão ou irmã..." Entre outras coisas maravilhosas de se ouvir quando o povo sabe zero da tua vida mas gosta de mandar papaias para o ar qual macacos em plena arena no circo.

Que estava eu a dizer? Ah, sim. Adorei imenso deste audiobook! 

Conheciam este livro da cantora? Ou outro?

21 de setembro de 2022

O meu caderno não está vazio

 


Após receber um comentário a perguntar se eu estou desaparecida do blog, apercebi-me que tenho publicado no Instagram do Reino e não tenho complementado com posts aqui. Por isso vou fazer o esforço de publicar as minhas opiniões e outros textos aqui também, deixando apenas os wrap-ups mensais de leitura apenas no Instagram. 

Não larguei completamente o blog pois é algo que, depois de tantos anos, faz parte de mim. Os meus cadernos não estão vazios, simplesmente há coisas que estou a escrever que ainda vão demorar a vir à luz do dia. 

E vocês, por aí, como estão? 

15 de abril de 2022

O encanto dos retellings


 Acho que vocês já perceberam que eu adoro mitologia. O que é no mínimo engraçado porque não sou de todo religiosa... 

Para quem está confuso com esta frase, eu fiz um post há tempos a explicar as ramificações do folclore. Os mitos, são histórias de folclore com uma base religiosa, que muitas vezes são usados para explicar a natureza tanto do mundo ao nosso redor como também da natureza humana. 

Ou seja, muitos dos mitos foram escritos e são efectivamente parte tanto da nossa evolução e história da humanidade. O problema com o folclore é que muito teve por base a transmissão oral... Mitologia não foi diferente e muito do que foi passado para o papel, foi escrito, na sua maioria, por homens pela perspectiva masculina (depois traduzido por homens também) e que na altura que foi escrita podia não ser a total verdade mas com o passar das Eras e com a evolução dos mesmos mitos, foram-se afastando ainda mais das histórias verdadeiras. 

Por isso é que sentimos a perda da informação no culto feminino mas também da alteração de muitos mitos. A ânfora da Pandora tornou-se uma caixa. A romã da Eva tornou-se uma maçã. 

Ou até mesmo a Medusa que ao querer ser intocável, além de se ter tornado num monstro, homens criaram o desafio de quebrar a sua resistência e celebravam o quão perto conseguiam chegar. 

Aliás, se repararmos todos os detalhes destas histórias podem mudar, aparte do pormenor de ser sempre uma mulher representada com a sua mão na porta dos infernos, pronta para deixar todos os demónios e males entrar no nosso mundo. 

Mas quem sabe se Athena não gritou de fúria no dia da morte de Medusa? Se calhar ela queria vaporizar o homem que segurava a cabeça dela, como se de um troféu se tratasse. Se calhar os deuses queriam abrir a Terra e deixar que Gaia engolisse tudo, porque o mundo estava cheio de homens que se intitulavam de heróis por não respeitar limites e reclamando mulheres como prémios... 

Como disse o interessante dos mitos é ver o que a sociedade de há milhares de anos atrás acreditava e pensava. No entanto, é preocupante ver que esta narrativa ainda se mantém e que afinal, desde então, não evoluímos assim tanto. 

É por isso que adoro retellings. É como se estivéssemos finalmente a tomar controlo da nossa história, a forjar a verdadeira narrativa e a retomar aos ideais que talvez estavam apenas perdidos no tempo. Descobrimos que afinal os heróis tinham valores egocêntricos. Apercebemo-nos que certos vilões foram categorizados para preencher uma determinada narrativa.

Um retelling é uma brilhante maneira de repensarmos de como a história poderia ter sido, pois o limite é a imaginação humana!

Por isso, é que para sempre irei me captivar com as palavras "Era uma vez..."

25 de fevereiro de 2022

The Summoner's Cry (opinião SEM spoilers)

 



[Disclaimer: e-ARC provided by the author in exchange for an honest review (Portuguese)]

Se por acaso já leram o conto “Nobody Tricks the Trickster” da autora, então vão reconhecer o ambiente deste livro pois é no mesmo mundo e tem as mesmas personagens.

Em primeiro lugar, vou falar sobre a linguagem: inglês não é a língua materna tanto da autora como minha. Contudo, ambas partilhamos uma experiência de vida que é: somos emigrantes. Por isso mesmo, as minhas leituras acabam por ser maioritariamente inglês. Isto para dizer o quê? Não senti qualquer diferença no inglês da autora, do inglês de um nativo. O que é excelente!

Já tinha gostado da forma de escrita da Ana no conto que mencionei mas neste (pequeno) livro, deu para analisar ainda mais. Continua no estilo Dark Fantasy mas uma diferença que notei foi que, mais ou menos, na primeira parte do livro achei a escrita um pouco “cirúrgica”, não sei se foi de propósito para captar o leitor rapidamente ou se advém do background científico da autora. Não me cabe a mim julgar, apenas foi algo que reparei.

Até porque, verdade seja dita, a autora consegue, com o mistério adicionado nas páginas, a incentivar-nos a sempre saber mais. O que é óptimo para quem gosta de “fast-paced books”!

A autora (finalmente) expandiu o mundo onde existem witches, witch lords, summoners e humanos. Numa grande e interessante aventura em busca de um item importante, para combater uma Witch Queen e os seus demónios. Isto tudo numa ilha onde os locais têm como língua o português. Então a nossa língua e até mesmo cultura tem uma aparição neste livro, o que achei brutalíssimo! São poucos livros internacionais com qualquer menção à cultura portuguesa portanto é excelente que a autora tenha incluído isso.

Contudo, apesar de como este livro é um pouco maior, mesmo assim achei essencialmente pouco. Talvez porque gostei mesmo das personagens e do enredo? Muito provavelmente mas havia alturas em que achava que podíamos saber mais. Contudo e porém, se a autora fez isso com o intuito de num próximo livro nos dar ainda mais informação? Aceito. Pois de outra forma acho que tão poucas páginas, não fazem justiça à capacidade de escrita da autora, ao enredo e às personagens.

Em suma, recomendo a quem quer ler um livro relativamente pequeno, fast-paced, embebido em mistério, com elementos de Dark Fantasy, com um pequeno sprinkle de romance e personagens icónicas.


11 de fevereiro de 2022

Podcast do Demo

 


Para quem tem estado atento ao @geekicesdodemo  sabe que nesta segunda temporada tivemos toda uma conversa super interessante sobre Fantasia e Ficção Científica na Literatura com a @aoutramafalda. Inclusive, sobre o mercado editorial português e o ciclo vicioso que continua a acontecer. 

A perspectiva da @madalenansantos , primeiro como autora e depois editora, e ainda o vasto conhecimento e experiência do Luís Filipe Silva, fizeram imenso sentido para mim! 

Relativamente ao ciclo vicioso, esta conversa só corroborou um vídeo que a @thephoenixflight  fez, há algum tempo, que fala do que acontece quando os leitores perdem confiança nas editoras e quando as editoras, sendo empresas, têm que fazer dinheiro. E o Luís Filipe Silva relembra que isso poderá ter repercussões a longo prazo: o de se perder cada vez mais leitores da língua portuguesa. Já é algo em que tinha reparado, mas se calhar essas repercussões ainda não são notadas no grande plano ou para todas as pessoas, de momento...

A perspectiva da Madalena foi extremamente interessante porque, para mim que estou fora de Portugal, esclareceu muitas das minhas questões. Há algum tempo vi a conversa da @anareis.poweredbybooks  no #adagioinlibri, em que ela disse (e muito bem) que a escrita é como qualquer outra arte: é preciso praticar, rever e refazer. Contudo, em Portugal existe esta noção de que um escritor tem que escrever um livro à primeira, sem qualquer possibilidade de evolução e sem rever o seu trabalho. Talvez a experiência da Madalena esteja relacionada com a cultura do mundo da escrita que a Ana Reis falou? 

Tudo isto para dizer que, se ainda não ouviram a segunda temporada do @geekicesdodemo , o último episódio saiu esta semana e já podem ouvir tudo de enfiada!

14 de janeiro de 2022

Deliberações & Resoluções

 


Ora bem, é nesta altura em que o pessoal faz assim como que uma revista do ano que passou. Eu já me tinha deixado de tais carnavais, mas decidi fazer este ano, de uma maneira diferente...

É que fiquei com uma coisa na cabeça desde que pedi dicas para um mísero frasco e me disseram para fazer um frasco de gratidão. Esta ideia ressoou imenso comigo porque, nessa mesma semana, a minha psicóloga disse que tinha que começar a ser bem menos crítica comigo própria (é uma doença severa por estes lados) e uma maneira de o fazer, é contornando esses pensamentos com outros, do género: do que é que eu estou orgulhosa ou grata.

Por isso, em vez da "normal" revista ou apanhado do ano, vos convido a fazer mesmo. Não precisa de ser num frasco, não precisa de ser escrito num papel... Mas façam este exercício com vós mesmos.

Neste ano, eu estou orgulhosa por ter avançado com algo, que já está na minha cabeça há mais de 10 anos. Por não só ter tido a coragem para começar (mesmo quando tinha a minha voz interior a gritar, a dizer que eu não era capaz), como também me rodeei de pessoas que não só me apoiaram, como me motivaram a dar esse passo!

Estou orgulhosa por ter conseguido ver, quando a certo ponto me estava a sentir desmotivada, que afinal já tinha imenso feito e organizado do tal projecto. Bem mais do que pensava! Facilitando a longo prazo e mostrando-me que estava apenas a ser (outra vez) demasiado crítica de mim própria.

Estou grata pela disponibilidade que tive para o fazer. Porque eu não sou só a Soberana do Reino, sou também mulher, esposa, mãe, enfermeira, leitora... Estou grata pela sabedoria de saber que não chego para tudo e que é preciso saber colocar prioridades. Houve projectos, como o BookMedia, que tive que parar e, apesar de me sentir um pouco triste por o fazer, sei que é por uma boa causa: o meu bem-estar. And that's okay.

Sinto-me imensamente orgulhosa de quando recebi uma red flag de mim própria, em formato de ataque de pânico, de ter procurado ajuda profissional. Estou grata pela ajuda do meu local de trabalho nesse sentido porque percebem que estes dois anos foram severos para o staff.

Sinto-me grata por ter ficado com uma posição em que me permite fazer "awareness" aos meus colegas pois também eles podem estar a precisar de ajuda profissional.

Estou grata por ter conseguido ao final de mais de um ano ter viajado para Portugal, para estar com a família. Não só isso como estou para lá de grata com as amizades que fiz para a vida, pois algumas fizeram quilómetros e passaram o claustrofóbico túnel do Marão só para me ir ver! Esses abraços todos deram-me anos de vida!

Estou grata a todos os Deuses e mais alguns pela nossa saúde, não só cá de casa mas de toda a nossa família.

Estou orgulhosa de ter começado um projecto com uma pessoa que tem todo um intelecto concentrado numa embalagem travel size, "Words à la Carte". Esse projeto, o Geekices do Demo, é para colmatar algo que sempre senti: há muito pouco conteúdo dos mais diversos temas geeks... de uma perspectiva feminina. Estou grata pelos ouvintes que apoiam e pela Nuts for Paper, que se prontificou logo em fazer merch para nos oficializar!

Estou grata pelos bosques, atrás de nossa casa, que foram a minha companhia muitas vezes quando precisava de sair de casa e de estar na natureza.

Estou orgulhosa por tentar ser a melhor mãe para o meu Príncipe. E não consigo dizer muito mais because this is a work in progress...

Estou grata por não nos faltar nada e de ter o suficiente para conseguir doar a quem mais precisa ou para boas causas.

Estou orgulhosa por voltar a conseguir fazer planos para o futuro.

Estou orgulhosa pois consegui alcançar tanto este ano... Mais não seja ter ultrapassado por completo o meu Reading Challenge no Goodreads, mesmo quando a minha capacidade para ler não foi das melhores. Eu sei que os números não importam mas eu consigo ver como esteve a minha saúde mental pela quantidade de livros que li.

Estou imensamente orgulhosa por o ano estar apenas agora a começar e eu já ter toda uma maratona literária pronta, que estou a organizar com a minha querida e brutalíssima "A Outra Mafalda". 

E, por fim, estou orgulhosa de mim porque alcancei mais de 10 anos de blog. Por 3 anos aqui no blog e instagram, conseguindo manter publicações regulares. Grata, porque sei que isso vai mudar, mas não vou ficar triste por isso. Volta e meia irei aparecer na mesma, seja por algum devaneio, partilha fotográfica, uma review ou até mesmo um wrap-up! Irei aparecer mas não será agendado, será ao sabor do vento...

Feliz 2022! Que este ano seja repleto de aventuras, amor e muitas boas leituras! Que nunca vos falte recomendações de livros para ler e se faltar... leiam The Covenant, LoL.

Happy New Year!


29 de dezembro de 2021

Linguagem do Amor

 


Em primeiro lugar, gostaria de frisar que não há consenso na comunidade de psicólogos e terapeutas relativamente a este assunto, aliás isto até é mais usado em terapia para casais, mas para quem nunca ouviu falar do tema, vou explicar de forma muito breve e em consideração os profissionais que efectivamente concordam com o assunto. 

Love languages ou as linguagens do amor que as pessoas em relações afectivas usam para demonstrar o seu amor e afecto entre si, estão divididas em 5 categorias. Temos então: physical touch (toque físico), words of affirmation (palavras de afirmação), quality time (tempo de qualidade), receiving gifts (receber presentes) e acts of service (acções ou serviços).

O pensamento por atrás é que cada pessoa expressa o seu amor de maneira muito própria, "na sua própria linguagem", e numa relação uma pessoa pode expressar de uma forma e a outra pessoa de outra, não falando assim a mesma "linguagem". Ou seja, mesmo quando duas pessoas se amam muito, ambas podem não sentir o amor da outra pois é numa outra linguagem.

Por exemplo, psychical touch é a primeira linguagem que aprendemos como crianças, que é crucial para o nosso desenvolvimento, aliás esta linguagem é crucial para qualquer relação: segurar as mãos, beijos, abraços e miminhos, libertam hormonas mas para pessoas em que esta é a sua love language, é o toque físico que faz com que se sintam verdadeiramente amadas. 

Em words of affirmation, a pessoa precisa de se sentir apreciada, recebendo comentários positivos ou elogios, seja pelas acções ou simplesmente "gosto muito de ti".

Em quality time, é a pessoa receber undivided attention, ou seja, actividades em que sinta que a outra pessoa esteja a dedicar aquele tempo somente para ela.

Quanto a receiving gifts, é literalmente receber presentes, que pode ser apenas uma flor selvagem apanhada no jardim, seja uma caixa de chocolates ou um livro... Estas pessoas sentem-se apreciadas assim.

Relativamente com acts of service, é o equivalente de "acções falam mais alto", no sentido que se sentem verdadeiramente amadas quando a outra pessoa limpa a casa, por exemplo, ou cuida da roupa ou ainda trata das compras de mercearias.

Portanto, como disse, duas pessoas podem ter duas linguagens diferentes, por exemplo, (e vou utilizar como exemplo uma relação heterosexual) um homem que está constantemente a oferecer massagens à sua mulher, enquanto que ela lhe está sempre a dizer o quão fantástico ele é como marido e como pai. Mas a verdade é que o homem procura o toque, preferindo talvez uma massagem da mulher, enquanto a mulher deseja que o marido afirme e reconheça o que ela faz pela família. Isto é extremamente interessante, especialmente em terapia de casal ou simplesmente descobrir num teste online qual a sua love language, e ver se faz sentido na sua vida e nas suas relações, além dos problemas que nela tem ou teve. 

Muito interessante mas... A minha dúvida é outra! 

A minha verdadeira questão é: será que nós nos amamos a nós próprios na nossa própria love language? Ou seja, se a nossa love language é words of affirmation, dizes em voz alta (ou escrever num journal) a ti próprio(a) o quanto és espectacular ou elogiar as coisas boas que fazes? Ou se és quality time e dedicas umas horas para fazer algo somente para ti? Ou ainda se és physical touch e marcas um spa day de vez em quando? Ou se és receiving gifts, se no final do mês compras um miminho só para ti? Ou se és acts of service que tal fazer algo como voluntariado?

Seja que linguagem for, será que te amas na mesma linguagem? Porque mais difícil do que aprender a amar outra pessoa, é mesmo aprender a amarmos a nós próprios.