Não, este post não vai ser apenas mais uma
conversa para saber se preferem livros físicos ou e-books, na verdade, este
post é para criar debate sobre a pegada ecológica dos livros. Acabou por ser
talvez um pouco académico e um pouco extenso mas escrevi de maneira a seguirem
o meu raciocínio por isso espero que achem, no mínimo, interessante.
Podemos pensar que os livros físicos não
são muito bons para o ambiente, quando por ano são lançados milhões de livros,
apenas considerando o uso extensivo de papel. Contudo, mesmo usando o argumento
de que podem usar papel reciclado, temos que ter em consideração as toneladas
de emissões de CO2 (dióxido de carbono) no processo.
Quanto aos e-books, supondo a que a pessoa
possui um e-reader (ex: Kindle, Kobo, Nook…), podemos pensar que a pegada
ecológica deste formato será menor. Contudo, temos na mesma que ter em
consideração as emissões e materiais de produção para os tais e-readers. Em
2009 foi feito um estudo sobre esta mesma questão, tendo em consideração que um
livro físico, comprado na livraria ou online, acaba na mesma, além do papel e
emissões na sua produção, por utilizar também, com o seu transporte,
combustíveis fósseis. Incluindo também aqueles que não são vendidos que fazem a
viagem de regresso às editoras, que ou reciclam esses mesmos livros ou acabam
na incineração.
Porém, os e-books só terão na verdade
algum impacto positivo no ambiente se as editoras reduzirem os números de
livros físicos produzidos. Gostaria de deixar uma “curiosidade” partilhada tanto
pela A Outra Mafalda como a The Daily Miacis, que papel reciclado para ser
branqueado leva lixívia e químicos tóxicos que depois têm que ir para algum
lado, não é? Ou seja, mesmo papel reciclado tem um grande impacto ambiental. A
economia verde tem ainda muito que se lhe diga, pelas técnicas de marketing de
preocupação ambiental mas isso é todo um outro assunto.
Relativamente a números, o estudo revelou
que 3 e-books por mês por 4 anos (144 livros no total se quiserem uma
matemática assim rapidinha) produziu 168 Kg de CO2 considerando o e-reader em
si também, enquanto que o mesmo número de livros mas em formato físico produziu
1074Kg de CO2.
Vendo assim só com estes números, a
diferença é de facto astronómica e a situação bem clara. Só que temos que ter
de facto em consideração que componentes electrónicos são notórios por conterem
alguns materiais tóxicos nos seus circuitos. Porém, mais e mais produtores de
electrónicos estão a tentar combater isto e até em 2009, a Sony revelava que o
seu e-reader não tinha qualquer tipo de materiais tóxicos. Mesmo não tendo,
temos então em consideração o impacto da sua produção por si só.
A grande diferença é que depois o impacto
dos e-books é quase zero para o ambiente, além de que o aparelho em si dura
imenso tempo (em tom pessoal, o meu Kindle tem quase 8 anos e está aqui para as
curvas). Analistas independentes colocaram como total da produção de CO2 de um
Kindle de 168Kg, ou seja, após a leitura do 23º livro, o Kindle fica a ganhar
no que toca à pegada ecológica, comparativamente ao mesmo número de livros mas
em formato físico.
Outro ponto que temos que ter em
consideração, que não era o caso em 2009. É prática comum qualquer pessoa ter
um smartphone e muita gente tem tablets, juntamente com as aplicações do género
da Amazon Kindle ou Apple iBooks, uma pessoa pode efectivamente ler num smart
device que não é utilizado somente para ler livros como os e-readers.
Em 2013 a Amazon revelou que para cada 100
livros físicos, 114 e-books foram vendidos (ambos no site), mostrando de facto
que lentamente estamos a caminhar de leitura impressa para leitura digital.
Calma! Não atirem já pedras! Não estou a dizer que tão cedo os livros físicos
vão ficar obsoletos ou desaparecer por completo mas a verdade é que com estes
estudos vê-mos que para no mercado editorial haver um impacto significativo no
ambiente, convém alterarmos um pouco os nossos hábitos de leitura.
Em específico para o mercado editorial
português seria uma benesse pois maioritariamente fãs de fantasia vêem
colecções a ficarem a meio ou apenas o primeiro livro a ser editado, pois a sua
produção provavelmente não justifica os gastos… isto seria talvez colmatado se
houvesse um mercado electrónico mais presente em Portugal pois os custos da sua
produção caiam drasticamente.
Com este post, eu não estou aqui a
dizer-vos como devem tratar das vossas leituras mas ainda vejo por alguma
razão, ainda um pouco de preconceito relativamente a e-readers em Portugal. E
que na verdade seriam talvez uma solução não só a nível ambiental mas também talvez para o
mercado editorial.
Cada vez mais há uma maior consciência para
diminuirmos o nosso impacto para este nosso planeta fantástico, que pode passar
por imensas coisas desde pequenas mudanças alimentares a reciclar ao máximo o
nosso lixo doméstico.
Contudo e porém, ajudar o ambiente ou
diminuir a nossa pegada ecológica não passa apenas por comprar um e-reader ou
ler e-books (até porque não tenho comissão para tal coisa… seria bom mas não
tenho, LoL), outras formas de ajudar seria dar cada vez mais uso às bibliotecas
municipais ou até mesmo na compra de livros em segunda mão que poderiam ir para
o lixo ou para a incineração.
Por isso, depois disto tudo, qual
consideram ser a melhor forma de combater o desperdício de recursos,
especificamente, na literatura ou mercado editorial?