16 de junho de 2021

Zeus, um pervertido ou apenas com costas largas?

 


Em toda a mitologia grega há dois temas presentes: nunca desafiem os deuses; e Zeus tem mesmo, mas mesmo que aprender a estar quieto.

Já estão a adivinhar… Nesta história, Zeus não esteve quieto. Nisso não podemos criticar o pai dos deuses, pois ele não tinha qualquer tipo de preconceito, LoL. Tudo o que vinha à rede era peixe: deuses, semideuses, mortais, animais, etc. Mas um dos mitos mais estranhos é o de Leda e o cisne.
Nesta história, Zeus vê Leda e admira-a ao longe, então decide que para se aproximar dela e seduzi-la, decidiu transformar-se num lindo cisne. 

Não sabemos, e provavelmente não queremos de todo saber como, os dois acasalaram e da união surgem dois pares de gêmeos. Uma das filhas nascidas dessa união, foi Helena de Tróia, supostamente a mulher mais linda à face da terra que conseguiu, por assim dizer, causar toda uma guerra. 
 
Agora falando a sério, se formos a pensar bem, provavelmente muitas mulheres usaram esta desculpa para cobrirem alguma escapadinha moralmente duvidosa.
“Ernestina, estás grávida! Quem é o pai?”
“Ah... Erm... Zeus?”
“Ah, ok… faz sentido.” 


Nota: obrigada Sam Livralma pela revisão de texto. 

11 de junho de 2021

The Silence of the Girls (opinião SEM spoilers)

 


Se me perguntarem como é que este livro, da autora Pat Barker, chegou à minha lista de livros para ler, já não vos sei responder. Provavelmente foi algo do género: "Olha! Mais mitologia grega!" LoL

Portanto, o tema deste livro é isso mesmo mitologia grega, mais especificamente a altura da guerra de Tróia... o twist é que é na perspectiva das mulheres. Ou seja, só com esta premissa este livro suscitou-me imensa curiosidade, pois muitas das vezes a perspectiva foca-se muito nos heróis.
Apesar então do tema e da perspectiva diferente do mesmo, infelizmente, custou-me imenso a ler este livro. Porquê? Porque a narrativa do livro é extremamente monocórdica! A autora escreveu quase como relatos mas tudo parecia desprovido de emoção.

Eu digo isto com pesar porque (e não estou a dar spoiler nenhum quando digo isto) a história não é só escrita pelos vencedores como também é escrita por homens. Ou seja, os feitos dos heróis, as conquistas dos líderes, é o que fica nos anais da história... e não o que acontecia às mulheres das cidades pilhadas, que eram tratadas como verdadeiro gado. Eram violadas, maltratadas, escravizadas e sabe-se lá que mais.
Temos Achilles e Patroclus numa luz diferente, temos a guerra sem um pingo de romance, temos brutalidade,  temos tanta coisa neste livro e eu simplesmente não consegui sentir nada. Sei que parece uma coisa estúpida de se dizer pois nem todos os livros têm que suscitar sentimentos mas eu simplesmente senti que este livro não me encheu as medidas, quando na verdade tinha tudo para dar certo.

Contudo, quando me lancei a ler outro livro com a mesma temática da guerra de Tróia, este livro acabou por me estragar essa leitura pois estava sempre a pensar na perspectiva feminina. Por isso, se calhar o livro deu-me precisamente aquilo que tinha prometido. Fazer-me pensar em toda a história que aprendi e pensar na perspectiva feminina, mesmo que este livro não seja de todo ficção histórica. Não será por acaso que lhe chamam a "Ilíada feminista"!

Em suma, tenho uma relação amor-ódio com este livro, LoL. Por isso, aconselho este livro a qualquer pessoa que queira ganhar esse novo panorama na história mas com a salvaguarda que o livro é um bocado "seco", no entanto, em algumas partes chega a ser um bocado gráfico.

Já tinham ouvido falar deste livro? Acham que seria interessante ganharmos esta perspectiva na nossa história?

21 de maio de 2021

É preciso reclamar com o padeiro de Salem...

 


Em 1692 numa aldeia puritana de Massachusetts, chamada Salem, houve como que uma praga de bruxaria. Depois de umas raparigas (Betty Parris e Abigail Williams) exibirem convulsões e outros sintomas, o médico da aldeia chegou então ao diagnóstico conclusivo de: bruxaria.

Como já mencionei no "Despertar do Vampiro" antes de haver um grande desenvolvimento a nível científico, as pessoas direccionavam-se para o sobrenatural. O problema é que além das raparigas, mais pessoas começaram a exibir sintomas semelhantes. A histeria instalou-se e a aldeia decidiu caçar literalmente as bruxas de Salem e lá para o final de Maio de 1693, 19 pessoas foram enforcadas, 1 morta por apedrejamento e 4 morreram na prisão, todas estas pessoas acusadas de bruxaria, claro. 

O interessante de Salem é que mesmo 300 anos mais tarde, este evento histórico continua a suscitar curiosidade! Será que houve mesmo bruxas em Salem ou será que foi outra coisa que afectou a cidade? Na verdade este evento é-me intrigante porque houve vários estudos relativamente à "mob mentality" (mentalidade de grupo), usando Salem como um exemplo histórico. Contudo, não sei se sabiam mas nos anos 70 uma investigadora encontrou evidência que na verdade havia uma explicação mais prática do que aconteceu... 

Essa mesma investigadora acredita que as pessoas de Salem tiveram uma reacção não a bruxaria mas ao centeio/grão. Esta reacção chama-se "ergotism" e a sua teoria explicava bastantes coisas que aconteceram em Salem: espasmos musculares, alucinações e em casos severos gangrena nas extremidades, o restante seria então atribuído à mentalidade de grupo e ao poder de sugestão. 

Então pensa-se que, como a caça às bruxas acabou abruptamente em 1693, foi porque simples e puramente porque Salem acabou com o grão contaminado. Claro que haverá sempre muito debate sobre se esta teoria é a correcta pois muitos investigadores atribuem às acções das raparigas, um atributo psicológico, social e político. 

Mas é super interessante, no entanto, pensarmos que os grandes julgamentos e a famosa caça às bruxas de Salem aconteceram porque... o padeiro tinha pão contaminado, LoL.

14 de maio de 2021

Flatshare (opinião SEM spoilers)


 

Este livro, da autora Beth O'Leary, chegou à minha TBR devido à senhora dona Manganett, que quando a conheci nos inícios de 2020  (esse ano fatídico) me disse que este livro era uma das suas evangelizações (sim, por obviamente tratei de tentar evangelizar todas as meninas que conheci nesse dia com The Covenant). Por isso, tratei de o adicionar logo ali à minha lista.

A premissa deste livro, passado em Londres, é que Tiffy e Leon são mais do que flatmates (uma pessoa com quem se divide um apartamento), eles chegam mesmo a dividir a única cama do apartamento, contudo nunca se conheceram pessoalmente. E com esta premissa, uma pessoa fica mesmo curiosa para ler e ver o que vai sair daqui!
Acho que um bom resumo deste livro é que é um daqueles "good feeling romances", ou seja, um romance que nos aquece o coração mas neste caso introduz um tema pesado que é as relações abusivas, não apenas as físicas mas as psicológicas e emocionais. Aproveito assim para deixar o aviso de Trigger Warning para quem precisar...

Sendo muito honesta e obviamente é a minha opinião, não achei o livro nada de especial. No sentido do romance e afins, contudo o que salvou o livro para mim foi mesmo a abordagem relativamente cuidada da autora sobre a relação abusiva, o machismo (não só do parceiro mas dos homens à volta que perpetuam este tipo de comportamento), o gaslighting, manipulação emocional, etc.
Então, apesar do tema, este livro é uma leitura leve e com uma abordagem diferente à trope de "uma cama", LoL. Aqui neste livro foi elevado ao máximo! Parecendo então mesmo uma das típicas rom-com britânica.
Contudo, tudo pareceu um pouco exagerado e quase como uma pantomime, se calhar a tentativa da autora de colocar algum humor no livro? Não sei mas pareceu-me forçado.

Gosto especialmente das diferentes perspectivas entre personagens, dá realmente um outro toque ao livro. Seria era bom que, tal como uma personagem teve uma progressão, que a outra personagem tivesse também. Parece que faltou ali qualquer coisa... 

Em suma, o livro fez-me como que lembrar quase os livros da Sophie Kinsella mas como já não sou grande fã da Kinsella, este livro ficou então muito aquém para mim. Sei que existem mais livros da Beth O'Leary muito amados na comunidade dos livros mas eu fico-me por aqui. 

Para quem gosta deste tipo de romances ou precisa de um romance daqueles para ler na praia, esta leitura se calhar é perfeita para vocês. Se querem algo com um pouco mais de substância, se calhar é melhor não pois acabam um pouco desiludidos como eu. 

Obrigada na mesma Manganett pela tua recomendação, se calhar agora tento a tua recomendação de thrillers, LoL.

E vocês, já leram este livro? Gostaram ou ficaram assim como se soubesse a pouco?
Já agora, gostam de rom-coms?

30 de abril de 2021

The Nevernight Chronicles series (opinião SEM spoilers)

 


Mal eu acabei de ler Illuminae Files, uma outra trilogia onde o autor Jay Kristoff é co-autor, que eu fiquei super curiosa para ler mais dele! Tratei então logo de adicionar á minha infinita de livros para ler mas decidi não deixar passar de 2020 para ler esta trilogia.

Ora bem, primeiramente quando comecei o primeiro livro, apercebendo-me que os livros eram High Fantasy com uma linguagem própria (sim, eu nem sabia do que os livros se tratavam e sim, eu costumo cometer destas loucuras frequentemente), até mais ou menos os 10-15% do primeiro livro, estava a custar-me um bocado a entrar no ritmo pois o mundo é bastante complexo. 
Mas para qualquer leitor frequente de fantasia e principalmente de High Fantasy (não vos vou explicar nesta opinião a diferença entre High e Low Fantasy simplesmente porque não considero uma expert nestes assuntos dos diferentes géneros, deixo isso para os profissionais, LoL) pois sendo um mundo completamente novo, temos que tentar perceber logo no início o seu sistema, construção, os limites da magia, etc. Então neste género de livros tem que se dar, normalmente, pelo menos 20% para nos emergirmos completamente na história...

Após essa percentagem? Sai da frente Guedes! 

Eu, na verdade, nem sei muito bem como me articular relativamente a estes livros, LoL. Mas vamos começar pela escrita... Eu não achei a escrita do autor muito difícil, diferente mas não achei difícil, contudo após uma conversa hilariante com a The Phoenix Flight, apercebi-me que o inglês não é do mais fácil. Portanto, se o vosso nível de inglês não for alto, eu esperava talvez um bocadinho pela tradução e não me lançava já para esta trilogia.

Dito isto, eu tenho que admitir que nunca na minha vida fiquei tão feliz em ler notas de rodapé, LoL. O autor criou o mundo de tal forma complexa e minuciosa que ele quis colocar tudo nos livros, em formato de notas de rodapé com a mesma cadência que no resto dos livros. Ou seja, com um tom sarcástico, irónico, com humor negro e tudo assim misturadinho para sair toda uma narrativa que de cada vez que lia uma frase começava logo a sorrir.
Acredito que em formato físico as notas de rodapé, que chegam a ser bastante extensas, com outras histórias, detalhes ou simplesmente comentários sarcásticos, pode perturbar um pouco a leitura mas tal não aconteceu comigo pois li em formato ebook, onde os rodapés aparecem em estilo pop-up no kindle. 

Portanto, o livro acompanha a Mia fucking Corvere, a personagem mais badass dos últimos tempos, LoL. Uma rapariga que apesar do seu aspecto, fumar que nem uma "congra" (ao ponto dos seus belos pulmões estarem a concurso na Feira do Fumeiro de Montalegre) e colocar asneiras nas suas frases como vírgulas, é extremamente letal, tanto com os seus skills em combate como a sua mente aguçada.
Assim, o Sr. Kristoff criou um mundo que tem tanto de lindo como de aterrador, com detalhes super realistas e com todo um significado por detrás, descrições bastante gráficas de tudo. Quando digo de tudo, é tudo, ok? Seja cena de treino, exploração, de batalha, de sexo... O homem descreve tudinho com a mesma cadência e é só fantástico!

Ou seja, se vocês precisam de uma boa história com uma personagem feminina forte e brutal, com uma aventura brutalíssima e com twists que nos fazem ficar com a cabeça à roda. Aliás, eu tenho uma sugestão que é tenham os três livros logo com vocês, leiam tudo de seguida e preparem um tempo de recuperação, porque vão precisar, LoL.

Em suma, aconselho estes livros a quem quer mergulhar de cabeça para uma High Fantasy com um mundo complexo, personagens fortes, um excelente sentido de humor e muito sarcasmo!


P.S. - obrigada Sam, Olga e Night pela ajuda com português e o calão que está nesta opinião, LoL.

16 de abril de 2021

O Pecado de Porto Negro (opinião SEM spoilers)


 

Antes de começar a minha opinião, quero agradecer imensamente à Anatomia do Livro e ao seu podcast maravilhoso por me ter incentivado a ler este livro do autor Norberto Morais! Eu bem que queria participar na leitura conjunta, que a Ana organizou, e ir discutindo o livro mas tal não foi possível... mas eu já explico o porquê.

Em primeiro lugar, mal li o primeiro capítulo apercebi-me perfeitamente do porquê da evangelização fervorosa da Ana. Já tenho falado dela por aqui no Reino (eu até tive direito a todo um episódio no podcast dela) e tornou-se ao longo dos tempos não só numa pessoa amiga mesmo não a conhecendo pessoalmente (ainda), como também uma pessoa a quem as suas recomendações têm peso de chumbo. Porquê? Porque além do sentido crítico da Ana ser exímio, até agora tudo o que ela me recomendou, não desiludiu, como se tornaram em livros favoritos!
Portando, quando comecei a ler e vi que a escrita do autor que, para mim, é única. Percebi logo de imediato o porquê do fervor. 

Tenho que confessar que já há algum tempo que não lia autores portugueses, isto porque por alguma razão a oferta que eu via (quando ainda estava em Portugal) era tudo uma literatura que não ao encontro ao meu gosto. Além de que sentia que os autores portugueses estavam a engolir o dicionário e depois o cuspiam para os livros em modo shuffle... mas isso são outras conversas.
O autor Norberto Morais não é de todo assim! A escrita é tão acessível. Que, na verdade, era outro receio meu pois, como disse, já não leio em português há algum tempo. Então ler nessa língua está assim como que enferrujado, LoL. 

No início do livro fiz uma associação, isto é, estava a associar o Norberto Morais a certos autores americanos muito conceituados (que não vou mencionar para não ferir susceptibilidades aos cultos dos mesmos) que ao ler parece que a sua escrita transmite uma certa musicalidade. É a minha melhor descrição à sua cadência de escrita, à sua construção pensada de cada frase, tornando cada parágrafo numa verdadeira aventura.

Assim sendo, eu não li este livro... eu devorei a bom devorar!

Eu bem que queria participar numa leitura mais pausada, para ir discutindo os capítulos na leitura conjunta mas, como eu admiti à Ana, o livro parece que tem super-cola 3 na capa e não conseguimos pousar! Dormir? Que é isso quando os olhos simplesmente não conseguem parar naquele parágrafo e saltam para o seguinte sem os mandarmos? 

O enredo deste livro desenrola-se em Porto Negro, uma cidade imaginária situada numa ilha tropical. E nesse estilo o autor apresenta-nos um role de personagens simplesmente deliciosas, com tardes de muito calor, as festas, os amores escondidos, desejos apaixonados, amizades até à morte, a calmaria da vida de outros tempos... A história em si é simples mas lá está, da maneira como o Norberto Morais escreve, eu lia a lista de compras dele e era feliz. Além de que, na minha opinião, são mesmo as personagens que quase fazem a história, o que é simplesmente delicioso de ler.

Portanto, não vou contar muito mais do enredo, até porque sendo modesto acho que perde toda a sua piada. Além de que vocês já perceberam que com a sua escrita e descrições, eu senti mesmo que estava em Porto Negro, no meio daquela gente! 

Mal fechei o livro, senti logo saudades daquelas personagens e lugares, então porque uma pessoa não gosta de sofrer sozinha, tratei logo de o enviar para a minha mãe, LoL. Agora, deixo-vos aqui a minha enormíssima recomendação para lerem este livro e mal posso esperar para conseguir os outros do autor! 

Mais uma vez, muito obrigada Ana pela recomendação e pelo projecto simplesmente fantástico que criaste que incluiu toda uma conversa maravilhosa com o autor!

2 de abril de 2021

Artemis, a virgem assassina

 


Artemis é a irmã do deus Apollo e filha de Zeus (convenhamos, quem é que não é filho de Zeus?!). A deusa pediu ao pai para permanecer virgem para toda a eternidade e, Zeus, esfregando as mãos de pai, concedeu.

A deusa Artemis é uma caçadora, mas, ao mesmo tempo, protetora dos animais. A deusa tanto tem a imagem de virgem puritana, como também a deusa do parto e… destruidora de jovens mulheres. 

Sim, vocês leram bem. Artemis tem o título de destruidora de jovens mulheres, pois assassinou seis filhas de Niobe, exigiu sacrifício de Iphigenia (pois o pai dela assassinou o seu veado sagrado), entre outras situações… Até nas práticas do seu culto e nos seus rituais, havia instâncias de extrema crueldade e bastante sanguinárias.

E mais uma vez, os deuses ensinam que, lá por a “pessoa” ter toda uma aparência puritana, não quer dizer que não tenham uma veia sanguinária, ou que não sejam capazes de atos horríveis...

Será que é daí que vem a expressão "fia-te na virgem e não corras"?


Nota: muito obrigada Sam_Livralma pela revisão do texto.