14 de outubro de 2022

Where the Crawdads Sing (opinião SEM spoilers)


 Em primeiro lugar, quero falar da escrita da autora: simplesmente lindíssima! Com descrições e analogias maravilhosas, não chegando ao ponto de ser densa ou com demasiados floreados.

Acho que se tivesse que usar duas palavras para descrever a escrita da autora seria: gentil e naturalista. Isto porque a inclusão de elementos da natureza é uma constante neste livro, com animais, vegetação ou paisagem.

Depois adorei o facto de haver um entrelaçamento de romance e thriller neste livro. Já para não falar que, eu cada vez mais me apercebo, que eu aprecio muito um livro que tenha duas linhas temporais que lentamente se convergem na narrativa.

O que eu menos gostei, no entanto, foi a resolução do livro em si.

Na parte do romance, tendo em conta o build-up e a jornada da personagem, pareceu-me apressado.

Na parte do thriller, porque algumas coisas ficaram por responder (o que não é necessariamente mau) mas o que eu não gostei foi algo que parecia ser contra a personalidade que nos é apresentada da personagem. Daí mencionar as coisas que ficaram por responder, pois se houvesse certas respostas, então ficaríamos a perceber aquela atitude "fora da caixa".

Resumindo, acho que a a resolução final seja apressada para o build-up do livro mas isso não me impediu de simplesmente ter adorado a narrativa e tudo que é descrito.

E, por fim, quero agradecer à Sara por ter, não só pensado em mim depois de ter lido este livro, mas também por me o ter oferecido!

Já leram este livro? Conheciam?

7 de outubro de 2022

A thank you note

 


Nestas últimas semanas, finalizei duas leituras de livros que ambos me foram oferecidos. Ambas as leituras foram maravilhosas e como que escolhidas a dedo de quem me conhece bem, sabendo perfeitamente que estes livros me iriam encher o coração.

Já não é a primeira vez que menciono que eu entrei no BookMedia, sem qualquer expectativa e passado uns tempos tinha não só encontrado a minha tribo, como fiz amizades. Mas daquelas amizades fortes, que lentamente foram para além dos livros e agora não vejo a minha vida sem elas.

Apesar de às vezes não falarmos tanto, o tempo passa mas a amizade está lá na mesma. Basta apenas uma mensagem ou eu mandar um algo que me fez lembrar delas... A nossa maneira de dizer: estou viva, simplesmente a vida meteu-se pelo meio mas continuo a pensar em ti.

Este mel todo para dizer o quê? Eu acredito piamente, agora mais do que nunca, que oferecer livros assim. Algo dentro dos parâmetros de “eu li este livro e acho que também vais gostar” ou então também “vi este livro e acho que é a tua cara”… É uma linguagem de amor.

Agradeço todos os dias pelas pessoas que me rodeiam. As verdadeiras. Aquelas que me incentivam para ser a melhor versão de mim mesma e por acarinharem a minha personalidade meia chanfrada. Os presentes e as leituras fantásticas? São um bónus.

Mas, e vocês? Também já passaram por algo assim?


P.S. - este postal foi-me oferecido pela @aoutramafalda , que sabe como eu adoro este tipo de padrão melancólico. 

30 de setembro de 2022

The Promised Neverland series (opinião SEM spoilers)

 


Já não é a primeira vez que falo desta manga por aqui mas, agora que a acabei, vamos recapitular...

Eu comecei a ler este manga devido a um desafio da @thephoenixflight : lê apenas o primeiro volume.

Tal e qual, bastou o primeiro volume para ficar viciada! O pior, no entanto, é que não posso dizer muito pois acho que tira a experiência de leitura. Esta é mesmo uma daquelas leituras em que quanto menos se souber, tanto melhor!

Vocês gostam de ler mangas? Quais são as vossas recomendações?

23 de setembro de 2022

Dolly Parton: my life and other unfinished business (opinião SEM spoilers)


Acabei este audiobook e adorei mesmo ouvir o livro que é narrado pela própria Dolly!

Adoro o sotaque da mulher e além disso, ela tem uma forma emotiva de se expressar, já para não falar do seu maravilhoso sentido de humor.

Então não é que este meio metro de gente, não só ameaçou o Silvester Stalonne como lhe ensinou uma lição de vida?! Expliquem-me, como não gostar desta mulher?

Além dessas histórias e outras da sua jornada no mundo do showbiz, gostei muito da passagem onde ela conta que sempre sentiu dentro dela que não queria ter filhos. Que adora crianças mas que sempre achou que não era algo para ela...

Como na altura em que atingiu o estrelado e ficou mais famosa, para responder a perguntas relativamente a este tema, em vez de sentir o julgamento das pessoas, começou a dizer que simplesmente não conseguia ter crianças. Em parte era verdade mas não toda a verdade, fazendo-a sentir um pouco culpada. Mas como as pessoas se sentiam desconfortáveis com a conversa, então lá a deixaram em paz.

Acho que essa altura foi por volta dos anos 60 ou 70 e é incrível como passados mais de 50 anos, existe ainda esse julgamento. Felizmente nos dias de hoje fala-se mais, há um diálogo mais aberto sobre este assunto mas existe ainda uma grande pressão nas mulheres.

"Tens que casar. Tens que ter um filho. Só um filho? Estás a ser egoísta e a roubar o teu filho de um irmão ou irmã..." Entre outras coisas maravilhosas de se ouvir quando o povo sabe zero da tua vida mas gosta de mandar papaias para o ar qual macacos em plena arena no circo.

Que estava eu a dizer? Ah, sim. Adorei imenso deste audiobook! 

Conheciam este livro da cantora? Ou outro?

21 de setembro de 2022

O meu caderno não está vazio

 


Após receber um comentário a perguntar se eu estou desaparecida do blog, apercebi-me que tenho publicado no Instagram do Reino e não tenho complementado com posts aqui. Por isso vou fazer o esforço de publicar as minhas opiniões e outros textos aqui também, deixando apenas os wrap-ups mensais de leitura apenas no Instagram. 

Não larguei completamente o blog pois é algo que, depois de tantos anos, faz parte de mim. Os meus cadernos não estão vazios, simplesmente há coisas que estou a escrever que ainda vão demorar a vir à luz do dia. 

E vocês, por aí, como estão? 

15 de abril de 2022

O encanto dos retellings


 Acho que vocês já perceberam que eu adoro mitologia. O que é no mínimo engraçado porque não sou de todo religiosa... 

Para quem está confuso com esta frase, eu fiz um post há tempos a explicar as ramificações do folclore. Os mitos, são histórias de folclore com uma base religiosa, que muitas vezes são usados para explicar a natureza tanto do mundo ao nosso redor como também da natureza humana. 

Ou seja, muitos dos mitos foram escritos e são efectivamente parte tanto da nossa evolução e história da humanidade. O problema com o folclore é que muito teve por base a transmissão oral... Mitologia não foi diferente e muito do que foi passado para o papel, foi escrito, na sua maioria, por homens pela perspectiva masculina (depois traduzido por homens também) e que na altura que foi escrita podia não ser a total verdade mas com o passar das Eras e com a evolução dos mesmos mitos, foram-se afastando ainda mais das histórias verdadeiras. 

Por isso é que sentimos a perda da informação no culto feminino mas também da alteração de muitos mitos. A ânfora da Pandora tornou-se uma caixa. A romã da Eva tornou-se uma maçã. 

Ou até mesmo a Medusa que ao querer ser intocável, além de se ter tornado num monstro, homens criaram o desafio de quebrar a sua resistência e celebravam o quão perto conseguiam chegar. 

Aliás, se repararmos todos os detalhes destas histórias podem mudar, aparte do pormenor de ser sempre uma mulher representada com a sua mão na porta dos infernos, pronta para deixar todos os demónios e males entrar no nosso mundo. 

Mas quem sabe se Athena não gritou de fúria no dia da morte de Medusa? Se calhar ela queria vaporizar o homem que segurava a cabeça dela, como se de um troféu se tratasse. Se calhar os deuses queriam abrir a Terra e deixar que Gaia engolisse tudo, porque o mundo estava cheio de homens que se intitulavam de heróis por não respeitar limites e reclamando mulheres como prémios... 

Como disse o interessante dos mitos é ver o que a sociedade de há milhares de anos atrás acreditava e pensava. No entanto, é preocupante ver que esta narrativa ainda se mantém e que afinal, desde então, não evoluímos assim tanto. 

É por isso que adoro retellings. É como se estivéssemos finalmente a tomar controlo da nossa história, a forjar a verdadeira narrativa e a retomar aos ideais que talvez estavam apenas perdidos no tempo. Descobrimos que afinal os heróis tinham valores egocêntricos. Apercebemo-nos que certos vilões foram categorizados para preencher uma determinada narrativa.

Um retelling é uma brilhante maneira de repensarmos de como a história poderia ter sido, pois o limite é a imaginação humana!

Por isso, é que para sempre irei me captivar com as palavras "Era uma vez..."

25 de fevereiro de 2022

The Summoner's Cry (opinião SEM spoilers)

 



[Disclaimer: e-ARC provided by the author in exchange for an honest review (Portuguese)]

Se por acaso já leram o conto “Nobody Tricks the Trickster” da autora, então vão reconhecer o ambiente deste livro pois é no mesmo mundo e tem as mesmas personagens.

Em primeiro lugar, vou falar sobre a linguagem: inglês não é a língua materna tanto da autora como minha. Contudo, ambas partilhamos uma experiência de vida que é: somos emigrantes. Por isso mesmo, as minhas leituras acabam por ser maioritariamente inglês. Isto para dizer o quê? Não senti qualquer diferença no inglês da autora, do inglês de um nativo. O que é excelente!

Já tinha gostado da forma de escrita da Ana no conto que mencionei mas neste (pequeno) livro, deu para analisar ainda mais. Continua no estilo Dark Fantasy mas uma diferença que notei foi que, mais ou menos, na primeira parte do livro achei a escrita um pouco “cirúrgica”, não sei se foi de propósito para captar o leitor rapidamente ou se advém do background científico da autora. Não me cabe a mim julgar, apenas foi algo que reparei.

Até porque, verdade seja dita, a autora consegue, com o mistério adicionado nas páginas, a incentivar-nos a sempre saber mais. O que é óptimo para quem gosta de “fast-paced books”!

A autora (finalmente) expandiu o mundo onde existem witches, witch lords, summoners e humanos. Numa grande e interessante aventura em busca de um item importante, para combater uma Witch Queen e os seus demónios. Isto tudo numa ilha onde os locais têm como língua o português. Então a nossa língua e até mesmo cultura tem uma aparição neste livro, o que achei brutalíssimo! São poucos livros internacionais com qualquer menção à cultura portuguesa portanto é excelente que a autora tenha incluído isso.

Contudo, apesar de como este livro é um pouco maior, mesmo assim achei essencialmente pouco. Talvez porque gostei mesmo das personagens e do enredo? Muito provavelmente mas havia alturas em que achava que podíamos saber mais. Contudo e porém, se a autora fez isso com o intuito de num próximo livro nos dar ainda mais informação? Aceito. Pois de outra forma acho que tão poucas páginas, não fazem justiça à capacidade de escrita da autora, ao enredo e às personagens.

Em suma, recomendo a quem quer ler um livro relativamente pequeno, fast-paced, embebido em mistério, com elementos de Dark Fantasy, com um pequeno sprinkle de romance e personagens icónicas.