Antes de começar o post, quero sublinhar o facto de que isto é um blog pessoal e não o site do Serviço Nacional de Saúde nem da Direcção-Geral de Saúde... Contudo eu sou uma profissional de saúde, daí escrever sobre este tema com um bocadinho mais de conhecimento.
Não sei como ainda estamos a discutir isto mas tenho visto nas notícias, newsfeeds e etc, cada vez mais o tema da vacinação. Eu entendo as pessoas e os pais que através de uma decisão informada, escolham não se vacinar ou vacinar os seus filhos... Aliás mesmo na lei diz que a vacinação não é obrigatória mas sim recomendável, pois as pessoas têm direito de optar além de que é preciso incluir as pessoas que por questões de saúde não podem ser vacinadas.
Contudo... o que eu não suporto ver é decisões feitas, geralmente de pais, a partir de notícias sensacionalistas. Nomeadamente, as notícias (que se espalharam que foi uma loucura) de que as vacinas causam autismo. Então vocês questionam: mas tu acabaste de dizer que as pessoas têm o direito de escolher e o autismo é um assunto sério. Portanto, é um assunto muito sério mas a notícia não foi baseada num estudo científico ou num artigo médico, foi apenas fundamentada por dois médicos dando a sua opinião pessoal! Como é que se tornou "conhecimento geral", eu não faço ideia...
Outro argumento que usam para a não-vacinação que eu odeio é: então mas para que é preciso a vacina se já não existe a doença?
Por alguma razão as vacinas são tão importantes... pois as pessoas ficam imunizadas e a dita doença não se espalha. Não é lógico?
P.S. - Quanto à notícia da rapariga de 17 anos que faleceu com sarampo e que não tinha sido vacinada, em primeiro lugar, parece que a epidemia do século 21 são as notícias falsas, erradas e/ou incompletas... caímos todos pois, como seria de esperar, esperamos profissionalismo dessas instituições dos media (pelos vistos a verdadeira notícia é de que a rapariga não foi vacinada por razões médicas).
Em segundo lugar, parece que só se entra em debate nestes temas importantes, como a vacinação, quando acontecem desgraças (infelizmente). Neste caso concreto, no Plano Nacional de Vacinação diz que "recomenda" os pais a vacinarem os filhos e não "obriga por lei", devido precisamente a casos, em que por razões médicas, as crianças não podem ser vacinadas.
É assustador eu pensar nisto mas... eu só pude tomar a vacina do sarampo aos 18 anos, devido a uma reacção alérgica muito intensa a um dos componentes da vacina. A miúda tinha 17... podia ter sido eu! É terrível e isto podia ter acontecido à minha família.
Por perceber e ter este exemplo tão concreto, quando vi num comentário ou post, a dizer que a rapariga não pode tomar aos 2 meses então mas podia perfeitamente tentar mais tarde... Sim, mas nós não conhecemos o seu historial médico (por exemplo no meu caso demorou até à idade adulta).
Porque é que somos tão rápidos a julgar? Agora, além de a família não merecer menos do que compaixão e solidariedade, merecia também que a história verdadeira e completa chegasse aos meios de comunicação social. Perderam uma filha, não merecem também o bullying nem o nome sujo!